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Uma noite mágica sobre quatro rodas

Uma noite mágica sobre quatro rodas

No sábado, 25, o ginásio do Melão se transformou para receber a patinação artística,
em um show que emocionou mais de 1,3 mil pessoas durante o espetáculo The Time

Por Marcelo Barcelos

Expectativa do lado de fora e ansiedade nos camarins. Quando a bilheteria abriu, muita gente se beliscava para saber se era realidade ou se estava sonhando: a patinação de ouro, aquela encantou por décadas não só Caçapava, mas o Rio Grande do Sul, estava mesmo de volta? Minutos depois da abertura, com presença potente da banda municipal Dr. Ciro Carlos de Melo, na tradicional e popular marcha americana, ao som de Seventy Six, enfim, todos puderam concluir: não era imaginação. A patinação estava de volta!

Agora, com o nome de Escola de Patinação Sonho Sobre Rodas – graças a uma parceria com a Escola Estadual Nossa Senhora da Assunção (EENSA) –, o grupo emocionou uma plateia quase incrédula no que assistia. Depois de tanto tempo, era como um flashback, só que mais moderno e intenso. Só que real. Ao longo das três horas de apresentação de conjuntos, solos e duplas, os patinadores se dividiram em blocos: A Era de Ouro do Rádio, Tempo de Paixão, Época da Alegria, O Início: Imigração, Alice: a Idade dos Sonhos e Finale. Clássicos como I Love New York, No Tempo da Brilhantina e todo encanto da fábula Alice no País das Maravilhas deram o tom musical.

Encantos de alta tecnologia, figurino impecável e coreografia inédita
Não bastasse a criatividade artística incessante da diretora, Jianny July Moreno, havia mais por vir: o que a cidade assistiu, sem piscar, foi a um show com fantasias impecáveis, luxo e muita, mas muita tecnologia para performance, dos canhões de luz, patins e bicicletas com LED à arriscada alegoria em forma de coração que, pendurada no teto, erguia, como se flutuasse, uma das patinadoras. Mas Jianny não parou por aí. É claro que ela estaria na pista. E, mais óbvio ainda, que seria aclamada, ao desenrolar um vestido que, num passe mágico, a fez trocar de roupa enquanto fazia seu solo.

Em “Italianos”, mais uma surpresa: as ‘italianas’ chamaram seus companheiros à pista, estes sem patins, para entrar na dança, algo nunca feito no grupo. O público, de novo, veio abaixo com assovios, palmas e gritos. O Melão vibrava, literalmente, a cada número, como aconteceu com o solo do ex-campeão gaúcho e da Copa do Mercosul, que deslizou ao som de Time (Pink Floyd), tema do show, como se aquele momento fosse único na sua vida, e na vida daqueles que viviam aquela noite. Tão único quanto foi para alunos da Apae, ao lado de Gregory Maciel Medeiros, a moçada que, em outras rodas, também deslizou sobre a pista. Tão único, na verdade, como foi para todos que pisaram na pista.

Quando tudo parecia superado, o gran finale arrepiou ao som da Bateria Leões da Fiel. Quase 90 patinadores invadiram a pista depois de Brasil, do mestre Ary Barroso, o clássico dos clássicos, uma saudação ao melhor do país, seu povo e sua arte – tudo que, simbolicamente, se representava naquele show que juntou novatos e veteranos, pais e filhos, morador e gente que quase não consegue mais vir a Caçapava por estar longe. Nada coroaria melhor o momento do que o samba. E o samba foi ao vivo, direto da fonte, na voz do talentoso Gilson Machado Perdomo.

Enquanto a pista também era tomada por familiares, uma festa, sem necessidade de coreografia, começou. Abraços, choro e uma plateia em pé, mas bamba. Então, eis que o microfone anuncia: “Tudo isso não teria sido possível sem uma mulher: Jianny Moreno, vem pra cá”, para então ser presenteada por um buquê de flores, das mãos da diretora executiva, Gabriela Abascal.

Como numa noite mágica, mas sobre rodas, o espetáculo não terminou. Pelo contrário, o espetáculo, segundo a organização, só está começando, já que em maio outro show deve acontecer, com novidades, é claro. Enquanto as redes sociais não param de replicar fotos, vídeos e relatos emocionados da noite memorável, não dá para esquecer que o resultado foi muito além disso: só ali, foram arrecadados mais de uma tonelada de alimentos e 20% da bilheteria foram repassados à Apae.

Nessas mesmas redes, dois dias depois, Jianny comentou: “idealizei o The Time por ter com o tempo, um grande compromisso: o de aproveitá-lo em todos os aspectos…nas lembranças da infância, retrospectivas musicais, na velocidade com que tudo acontece…no tempo junto aos que amamos e no tempo que dispendemos para fazermos a nós e os outros felizes. Foram meses de trabalho entre pesquisas musicais, coreografias, ensaios, escolha e confecção de fantasias e busca da estrutura. Obrigado a todos! À mídia, aos 15 patrocinadores, colaboradores, à Secretaria da Assistência e Ação Social (SAAS), pais e patinadores”.

Para quem conhece essa história, sabe bem que a professora Margarida Moreno, mãe de Jianny, e o Piá, seu irmão, estejam onde estiverem (in memoriam), também agradecem à cidade. Agradecem também à filha e irmã por ela ter sido forte o suficiente a ponto de movimentar uma cidade inteira, 25 anos depois, para realizar um Sonho Sobre Rodas.

Afinal, o show tem que continuar…

01 Galeria de Fotos – The Time

02 Galeria de Fotos – The Time

03 Galeria de Fotos – The Time

04 Galeria de Fotos – The Time

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