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Começou a 27° Feira do Livro de Caçapava do Sul

Começou a 27° Feira do Livro de Caçapava do Sul

O Patrono Paulo Flávio Ledur
(Foto: Divulgação)


Iniciou nesta sexta-feira, dia 12, a 27°edição da Feira do Livro de Caçapava do Sul, no Salão Paroquial. A feira segue até o dia 21 de maio e conforme o Coordenador da Feira, Pedro Vanolin Macedo, a expectativa é de que cinco mil pessoas passem pelo evento. Neste ano, a feira é dedicada aos 65 anos da Escola Estadual Nossa Senhora da Assunção (EENSA).

A abertura oficial iniciou com o tradicional toque de sineta pelos Xerifes da Feira, Denise Gervásio Burin e Luiz Hugo Burin e a cerimônia de transmissão do cargo de Patrono da Feira de José Antônio Severo para Paulo Flávio Ledur. O Coral Municipal Caçapavano realizou sua tradicional apresentação na abertura do evento.

Durante a feira, a PROGRAMAÇÃO conta com shows, apresentações artísticas, palestras e sessões de autógrafos.

Quem é o Patrono
Paulo Flávio Ledur é Licenciado em Letras pela Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras (FAPA) e Mestre em Linguística Aplicada pela PUCRS. Ministrou aulas de Literatura Portuguesa e Língua Portuguesa na FAPA e de Editoração na Faculdade dos Meios de Comunicação Social da PUCRS e no Curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas.

Atualmente, é professor de Língua Portuguesa e Redação Oficial na Fundação Escola Superior do Ministério Público do RS, nas Faculdades SENAC-RS, no Instituto de Estudos Municipais, na Escola de Gestão Pública da Famurs, na Escola Verbo Jurídico, além de ministrar cursos e seminários destinados a profissionais liberais, executivos, servidores públicos, secretárias, entidades de classe e organizações de treinamento e desenvolvimento de recursos humanos.

Gazeta bate um papo com o Patrono Ledur

Gazeta – Como você recebe a distinção de ser patrono da Feira do Livro de Caçapava?
Ledur – Participei de quase uma dezena das edições da Feira do Livro de Caçapava do Sul, e isso nunca me cansou; pelo contrário, a cada edição do evento minha satisfação cresce, chegando ao apogeu nesta edição, que me distingue com o galardão de patrono. Além de representar uma homenagem que orgulha e emociona, consagra em mim o sentimento definitivo de me considerar cidadão caçapavano, mesmo não tendo nascido nem me criado aqui.

O que valoriza ainda mais essa homenagem é o fato de a escolha ser feita pela coletividade cultural do Município, que de forma entusiasta e por puro amor ao livro organiza todo o evento e faz a escolha do patrono da forma mais democrática possível. Por ser realizada com o entusiasmo amador de uma grande equipe coesa e bem conduzida, a Feira de Caçapava do Sul é, sem dúvida, a mais bem organizada do Estado e certamente a que menos recursos financeiros consome. Esse time é imbatível, merecendo todas as homenagens da comunidade caçapavana.

Gazeta – Qual a importância da literatura na Feira do Livro? Que ações você acha que são realizadas e funcionam no sentido de promover a literatura e quais poderiam ser realizadas?
Ledur – As Feiras de Livros precisam contemplar todas as formas de livros e todos os gêneros literários, mas, por ser essencial para todos os segmentos e por ser a mais carente, a literatura que valoriza a estética literária precisa ser tratada com atenção diferenciada. Precisa ser levada ao encontro dos leitores em geral, de modo especial das crianças e dos adolescentes.

Nesse sentido, trazer as escolas para dentro das Feiras de Livros é uma ação essencial, em que a criança e o adolescente percebem o valor que os adultos dão ao livro. Entendo que essa aproximação auxilia muito na formação de leitores, de que nosso país é tão carente. Também entendo que o Poder Público poderia contribuir mais, organizando concursos literários entre crianças e adolescentes, envolvendo toda a rede escolar e premiando os vencedores com a publicação de livros reunindo os textos selecionados. Outra forma que aproxima do livro é a utilização estratégica de outras manifestações culturais, como música, teatro e dança, o que a Feira de Caçapava faz com maestria.

Entre os muitos benefícios que a leitura propicia, eu destaco em especial o que diz respeito ao desenvolvimento da capacidade de concentração, de reflexão; a leitura de um bom romance, de um bom conto, como de resto de qualquer obra literária, nos prende ao enredo, mantendo-nos atentos, pois não queremos perder o fio da meada; o resultado é a aquisição da boa e imprescindível capacidade de nos concentrarmos para a realização de boas reflexões.

Gazeta – A cada ano se fala mais em livro digital. Para você qual o futuro do livro impresso?
Ledur – Em regra, sempre que surge alguma nova tecnologia em qualquer área, interpreta-se que chega para substituir outra porque a supera. Quando, por exemplo, surgiu a televisão, anunciou-se o fim do rádio, o que não ocorreu. O mesmo está ocorrendo com o livro eletrônico, que, num primeiro momento, parecia vir a derrubar o livro impresso. Hoje está claro para mim que isso não ocorrerá.

A chegada do livro eletrônico é irreversível, é claro, mas não veio para substituir o livro impresso. Ocupará, em especial, o espaço dos livros de consulta, como códigos, dicionários, parte da literatura científica, entre outros segmentos, mas não os de leitura de lazer, como romance, poesia, conto, crônica, teatro e outros gêneros. Cada um ocupará o seu espaço, à semelhança do rádio, que não foi substituído pela televisão e pelas demais mídias eletrônicas; pelo contrário, nunca se ouviu tanto rádio como hoje.

Particularmente, eu prefiro sempre ler em livro impresso, porque, além de usar a visão, me permite cheirar a tinta e o papel, e usar as mãos, sem contar que é mais prático de levar para a cama. Mas, confesso, minhas consultas ao dicionário se dão pela versão eletrônica.

Gazeta – Como você avalia o circuito de Feiras do Rio Grande do Sul?
Ledur – No setor livreiro, o Rio Grande do Sul é considerado o Estado das Feiras de Livros. É uma tradição que as demais unidades da Federação ainda não têm, pelo menos não com a nossa pujança. Sem considerar as feiras de escolas, clubes e entidades similares, são realizados no Estado mais de cem eventos do gênero que se repetem anualmente.

Gazeta – Além do modelo da Feira de Caçapava, há outros modelos de eventos literários. Há algum que tenha chamado sua atenção?
Ledur –Cada Município precisa encontrar o modelo que mais se adapta à sua vida comunitária, a seus costumes e condições socioculturais. Observar o que os outros fazem é recomendável, mas copiar cegamente modelos é provável que não seja o mais adequado.

O modelo de Caçapava do Sul nasceu numa Oficina Literária ministrada pelo escritor AlcyCheuiche há quase trinta anos, que, vendo a Feira do Livro da cidade esmorecer, resolveu criar um movimento agregador que vem organizando o evento com crescente êxito há 27 anos. Esse modelo alcançou extraordinário sucesso ao explorar um evento que o antecedeu, mas que não dará certo em municípios que não tenham esse antecedente e que precisará encontrar outra motivação.

Outro exemplo muito festejado no Estado e no País são as Jornadas de Literatura de Passo Fundo, evento totalmente diferenciado por ter nascido dentro de uma Universidade que ostenta grande liderança regional e que conseguiu motivar de forma extraordinária o as três esferas do Poder Público, alcançando dimensão nacional, que se espera seja mantida.

No outro extremo, há modelos de Feira de dimensão pequena mas adequada à realidade dos Municípios, como são os casos de Morro Reuter e de Picada

Café, que conseguem aglutinar toda a comunidade em torno do evento, dando-lhe uma dimensão de ampla inclusão cultural e social.

Gazeta – Que mensagem o senhor deixa para os leitores de Caçapava?
Ledur – Amigos caçapavanos: não deixem da valorizar esse extraordinário evento de que só vocês podem se orgulhar, a Feira do Livro de Caçapava do Sul. Ela é resultado do amor dedicado por uma grande equipe de idealistas que se empenha de corpo e alma para que toda a comunidade tenha momentos do melhor lazer e que conquiste o que o hino rio-grandense sustenta: a virtude que nos liberte da escravidão da ignorância, pois “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”.

Por Marcelo Marques / Gazeta de Caçapava

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