Desde o dia 18 de dezembro, o abrigo está com uma nova coordenação, a psicopedagoga Rose Andrade e a assistente social Dielli Alves. As profissionais têm formação em mediação de conflitos, práticas restaurativas e direito da família.

“A proposta da administração é dar um novo olhar para o abrigo”, revela a coordenadora.

De acordo com a assistente social, das crianças que vivem no local, 14 têm a possibilidade de retornar para a família. As famílias perderam a guarda dos filhos devido a violência física, negligência e uso de drogas.

“Quando falta proteção, a Justiça encaminha para cá. Eles recebem acompanhamento, assim como as famílias e só retornam aos lares quando há estrutura. Mesmo assim, o Creas observa durante um determinado período. A proposta é oferecer proteção provisória até a reestruturação familiar. No abrigo não há crianças para adoção, recomendamos isso somente quando a família não tem condições de receber novamente o filho”, esclarece a assistente social.

O abrigo atende 16 crianças, com idade entre um ano e seis meses a 17 anos e possui 18 funcionários, sendo que 6 estão de férias. Pela manhã são três no plantão, à tarde duas pessoas, uma para a limpeza, uma cozinheira, uma auxiliar no banho (que fica até a meia noite) e duas pessoas no plantão da noite. Apesar da escala, qualquer fato que foge da normalidade é comunicado para a coordenadora, independente do horário.

Devido ao período de férias e a troca na direção do local, algumas mudanças estão sendo realizadas e o abrigo está num período de reestruturação.

“Num primeiro momento, organizamos a documentação com o histórico das crianças: porquê foram para o abrigo, como será o acompanhamento e a previsão de retorno para a família. Também solicitamos a transferência de três funcionários (não efetivos) que trabalhavam no abrigo. Eles são ex-detentos, que cumpriram pena por tráfico de drogas e porte ilegal de arma. Entendemos que a ressocialização é importante, mas o abrigo não é o local mais indicado para isso”, explica a assistente social.

O ambiente também está sendo organizado e a rotina das crianças planejada. A coordenadora pretende estabelecer horário para as visitas, que será nas quartas, das 14 às 16hs. A medida é necessária para que isso não interfira no cotidiano das crianças.

Aliás, esse aspecto é uma das preocupações da coordenadora. O objetivo dela é oferecer atividades recreativas e lúdicas e buscar parcerias para incluir os abrigados na comunidade, através de cursos para os adolescentes e oficinas para as crianças.

“Eles precisam conviver com outras crianças, se socializar. A convivência com pessoas e experiências diferentes, com dificuldades distintas das nossas, faz parte do processo de crescimento. Motiva e desperta o interesse deles para que busquem algo novo para suas vidas, que seja contrário a realidade que foi tão cruel com eles”, avalia Rose.

Segundo a coordenadora, muitas pessoas vão até o abrigo levando doações – e todas são bem vindas – mas a prefeitura é a responsável pela gestão, repassa alimentos e material de higiene e não deixa faltar.

“Os lanches que as crianças gostam de comer (bolachinha, empanados de frango, salgadinho), maquiagens e enfeites de cabelo, também podem ser doadas, pois os itens básicos de alimentação e vestuário as crianças têm.

Administramos uma casa, como se fosse a nossa. As crianças pedem guloseimas para comer e os adolescentes querem roupas, acessórios para se produzir. As exigências dos abrigados são as mesmas dos nossos filhos, eles sentem a mesma vontade”, desabafa a coordenadora.