Selecione a página

As distâncias que nos separam

As distâncias que nos separam

Não se trata aqui de distâncias medidas em polegadas ou quilômetros, mas daquelas que nos separam por uma porta fechada, o lado de lá de um guichê de atendimento, um balcão, um cargo ou um “status”. Acontecem todo dia.

Cansei de esperar por atendimento, no início de minha carreira, e quem abriu a porta da sala da repartição foi uma antiga colega, não de turma, mas de escola. Ela não correspondeu ao meu sorriso, e seu ar de importância tencionava colocar-me em meu humilde lugar.

Tomei chás de espera, de pé num corredor sombrio, e o resultado foi esse: “Volta outro dia, vamos ver o que se pode fazer.” E seu olhar já se dirigia ao próximo solicitante, com a frieza de um verdadeiro robô.

Diversas conhecidas minhas se queixam do mesmo fato. Em lojas, setores de atendimento ao público, associações e similares, há sempre barreiras separando os que se julgam mais importantes dos outros pobres mortais.

As filas até foram bem-vindas, pois estabelecem igualdade para todos. A não ser quando alguém com cartão de um político importante passa na frente de quem está cansado de esperar.

Hoje, pessoalmente, não tenho razões de queixa. Sou bem acolhida e tratada. A idade me favorece. Mas quando pessoas humildes, muitas sofrendo ofensas por questão de cor ou renda, acabam sentindo-se inferiores e baixam sua autoestima, isso me deixa revoltada.

Está certo que as pessoas desempenhem seus cargos de maneira profissional, mas não custa nada um sorriso de boas-vindas para encorajar a pessoa do outro lado do balcão, e mostrar interesse pelo caso, enfim, exercer a empatia.

Felizmente, há muitas pessoas que assim procedem. Seus altos cargos não lhes sobem à cabeça, pois não se acham melhores ou piores do que os demais que precisam de soluções para seus problemas.

Mas nosso panorama nacional ainda não se ajustou a essas regras. Agora, então, nas campanhas eleitorais, os recursos são concedidos por interesse de votos. Verbas exorbitantes para os partidos, e nas farmácias faltam medicamentos básicos, antibióticos que poderiam curar epidemias de gripes e outros males do inverno. E os Hospitais ficam superlotados, duzentos a trezentos por cento além de suas capacidades. Culpa da Guerra na Ucrânia? Um pouco, é verdade, porque nos faltam insumos que viriam de lá ou da Rússia. Mas muito mais porque falta planejamento e previsibilidade para os problemas nacionais.

Militares da Reserva ganham armas sofisticadas, mais de uma cada um, para sua defesa pessoal, enquanto o cidadão comum morre por balas perdidas, geralmente das armas dos próprios policiais. E nas abordagens, pessoas das favelas são maltratadas até a morte, enquanto os riquinhos infratores são logo absolvidos à custa de bons advogados e costas quentes.

Precisamos fazer valer nossos direitos. Somos todos iguais perante a lei, não somos? E nosso voto, secretíssimo na urna eletrônica, tem o mesmo peso dos demais. Que vença o melhor!

Sobre o autor

Publicidade

Ouça nosso Podcast

TV Gazeta – Vídeos

Previsão do Tempo

Publicidade

Publicidade

RESULTADOS

Signos

Publicidade

Publicidade