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Um olhar diferente

Um olhar diferente

Quando relembro velhos filmes ou novelas que marcaram época e me empolgaram, tento assisti-los de novo, mas não é a mesma coisa. Não me convencem. No entanto, ao reler obras que li há longo tempo, cada vez mais me seduzem.

Chego à conclusão de que é a idade que nos faz ver a vida de modo diferente. Agora não nos prendemos a aparências, pois o que nos chama a atenção vem dos sentimentos, do nosso modo de ser, das atitudes. E agora, somando as quarentenas por Covid ou por influenza, mais o tempo úmido e este frio intenso, nada melhor do que voltar aos velhos autores que aprendemos a admirar.

Comprovo o que disse acima com a admiração que tenho por Agatha Christie, que jamais foi superada por autores de histórias policiais. Já li e reli incontáveis vezes seus livros de mistério e de suspense, dos quais já conheço o final, sei quem foi o assassino. Mas isso não me importa no momento, pois o que me prende a atenção são os sentimentos da autora, sua perspicácia em descobrir nas personalidades dos envolvidos as razões para cometerem o crime. Mas vou além. Agatha é uma excelente historiadora, que nos faz conhecer a vida de eras passadas, das Guerras Primeira e Segunda. Suas consequências no quotidiano das pessoas da época, a decadência da aristocracia, o empoderamento das mulheres e mil outros detalhes de fatos que transformaram o mundo.

Aprecio a esperteza de Jane Marple, a velhinha tricoteira, moradora de uma vila próxima a Londres que, mexericando daqui e dali, descobria os mistérios. Gosto da sua descrição dos chás das cinco dos ingleses, os antigos hotéis, que recebiam ilustres personagens, coronéis aposentados, antigas damas da alta sociedade reclamando das mudanças na sociedade, enfim. Preciso marcar hora para acabar com as leituras, pois as tardes terminam cedo.

Só não consigo reler o livro Cai o Pano, porque nele morre o brilhante detetive belga Hercule Poirot, que resolvia os misteriosos crimes com sua massa cinzenta.

Mas estou ocupando o lugar de Isabela, peço mil perdões. É que desejei fugir um pouco dos acontecimentos que estão abalando o mundo. Por covardia ou autoproteção?

Que os jovens assumam agora o comando. Tragam novas idéias e novo vigor para mudar o que está errado, e consigam estabelecer um mundo de paz, igualdade e liberdade para todos. Amém.

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