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Aos 82 anos, seu Arno constrói violões e canta tangos e boleros

Aos 82 anos, seu Arno constrói violões e canta tangos e boleros

Arno Siegfrid Calsing nasceu em São José do Sul, próximo a Montenegro, região Metropolitana de Porto Alegre. Nas idas e vindas da vida conheceu dona Ana Teodora Oliveira da Silva (já falecida) e foi morar em um sítio no município de Santana da Boa Vista no ano de 1992.

Em 2007 veio residir na rua Maria Cassol, 32, perto do Super Engenho. O cozinheiro, chapeador, vendedor e músico aposentado aproveitou o tempo para manter a mente e o corpo em plena atividade. Seu hobby é construir violões, tocar e cantar músicas uruguaias e argentinas, como tangos e boleros. Atualmente, ele tem 11 violões para vender. O valor, segundo ele, é negociado na hora.

Seu Arno, de descendência alemã, é um contador de histórias. Se você deixar ele falar sobre a vida dele, prepara-se para no mínimo duas horas e meia de um bom bate-papo. Ele recorda de todas as fases de sua vida. Entre elas, quando seu pai teve que vender a propriedade rural, porque a terra não dava mais para plantar e ir morar em Montenegro em 1943, aos oito anos.

Aos 18 anos, dispensado do serviço militar, foi trabalhar de cozinheiro em um restaurante na rua Voluntários da Pátria, em Porto Alegre. No lugar boêmio, com inúmeros cabarés na época, Arno comandava a cozinha das 19h às 07h. Ficou por lá entre 1953 e 1958, quando a empresa fechou as portas.

-Tinha um movimento incrível. O restaurante funcionava 24h. Não tinha horário para servir o almoço ou o jantar. Meu chefe ganhou um dinheirão, mas o que veio rápido, foi embora mais depressa ainda. O homem começou a esbanjar em festas e viagens, quando viu, quebrou – conta.

Depois, seu Arno trabalhou em fábrica de móveis, até o dia que um empresário português convidou para assumir a cozinha de um antigo hotel, perto de onde hoje é o Shopping Iguatemi. Onde ele fez vários cursos de cozinha internacional.

No entanto, ele resolveu trocar de profissão, fez curso de pintura automotiva na Guaiba Car por onde trabalhou por algum tempo. Em seguida fez teste e passou a comandar a pintura de carros na Auto Mecânica Helmuth, famosa nos anos 60 por ser a mais limpa da capital do Estado.

Nesta época conheceu o violonista uruguaio Emilio Schiavon, irmão do proprietário da Adubos Trevo, de Porto Alegre. Com quem fez dupla e passou a tocar violão e cantar tangos e boleros nos finais de semana em churrascaria da capital.

Aos 50 anos, seu Arno largou a carreira de músico e começou a construir violões. Seu primeiro trabalho de “luthier”, nome dado ao artesão, foi uma adaptação de violão da marca Giannini Folk, que comprou através de um classificado no jornal Zero Hora.

– Não me adaptei aquele modelo para tocar e resolvi modificá-lo. Desmontei todo, fiz o recorte que queria e montei de novo. Foi quando peguei o gosto pela arte e hoje é meu passatempo, meu hobby para deixar a cabeça ocupada. É minha terapia musical – declara.

Por Marcelo Marques / Gazeta de Caçapava

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