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Artigo – A geração que trabalha demais #sqn – Laurício Costa

Artigo – A geração que trabalha demais #sqn – Laurício Costa

Não é raro estarmos rodeados de amigos em uma confraternização, e vez ou outra alguém estufa o peito e relata orgulhoso “eu trabalho muito, muito mesmo”. Em uma análise fria, esse tipo de vaidade não deveria ser motivo de orgulho. Workaholic é um termo em inglês que significa o vício em trabalho, dependente e compulsivo.

Mas dando sequência, após a afirmação acima, todos do grupo costumam concordar, assegurando estarem exaustivos com carga excessiva de atividades a desempenhar em seus respectivos trabalhos.

Em uma visão muito particular, vejo esses comentários com certa glamourização do profissional. Parece querer se auto afirmar ou na busca por afago entre os que os ouvem.

A realidade é que, muitas pessoas não trabalham tanto assim. Estamos dependentes de tecnologia pra tudo hoje em dia, e de fato, gastamos muitas horas em frente a computadores e smartphones, muitas vezes além do horário de serviço. São relatórios, cálculos, planilhas que nos fadigam durante algumas horas. Mas, durante esse período em frente ao computador, muitas horas são desperdiçadas com atividades que não condizem com o trabalho.

Quando lecionava, gostava de transmitir aos meus alunos o conceito de multitarefa, achando viável trabalhar bem, desempenhando diversas atividades ao mesmo tempo. Para as gerações até os 40 anos (incluo quem vos escreve), estão cada vez mais evidentes os problemas de concentração, tornando impossível a execução das atividades de acordo com o que almejamos.

Chegamos ao trabalho as 9h da manhã, ligamos o computador, checamos o e-mail. Pegamos o celular, abrimos o Whatsapp, escutamos um áudio (por vezes somos surpreendidos pelo “gemidão do zap”), repassamos a mensagem a todos os grupos de amigos e família, ficamos aguardando alguém ler (e por vezes nos irritamos se o destinatário não vê na hora). Toca o telefone, você atende, começa a responder um e-mail, nisso alguém te menciona em um grupo Whatsapp e você corre pra ver, fica mais uns 5 minutos nessa “produtividade”. Nisso você lembra que não olhou as notícias da manhã. Lê sobre futebol, e vai procurar um “meme” pra enviar para o colega do outro time. Levanta para buscar um café ou fazer um chimarrão. Nisso já são 10h30min e nada foi feito.

Nesse momento, o Instagram “grita” que alguém curtiu a sua foto, ou você se perde olhando os comentários nas polarizações no Facebook (texto para um outro momento). O aplicativo do telefone lembra que você ainda não bebeu os 2 litros diários de água que você necessita para sobreviver. Então você levanta, estica o corpo para evitar as famosas e temíveis lesões por esforço repetitivo. E nisso a ansiedade aflora, pois você viu as fotos do vizinho de férias em Cancun e você está se matando trabalhando. Não há como ser produtivo assim, simplesmente não há.

Estou escrevendo sobre obviedades do cotidiano, mas o que poderia ser feito em 1 hora pode levar três, quatro, cinco horas. É inegável que o uso da tecnologia trouxe inúmeros benefícios para a sociedade. Mas com ela veio uma palavra feia chamada procrastinação. O ato de adiar uma atividade (mesmo sem se dar conta) resulta em stress, sensação de culpa, perda de produtividade e problemas de relacionamento (colegas, equipe, familiares, etc).

E é claro que, desse jeito, todo mundo vai “trabalhar” demais. Você vai chegar em casa cansado, se irritar com sua esposa/esposo relatando o “dia de cão” que teve, vai perder de brincar com os seus filhos, vai dar uma desculpa pra evitar os exercícios físicos e vai deixar de ir na confraternização dos amigos por estar “cansado de tanto trabalho”.
O fato é muitas pessoas acham instintivamente que trabalham muito, porém estão trabalhando errado. Gente que trabalha a noite porque ficou vendo Stories do Instagram durante o dia. E não sou diferente disso, só estou tentando abrir meus olhos e mudar alguns hábitos do dia-a-dia. Não estou disposto a deixar de fazer coisas legais em detrimento de tarefas que eu deveria ter feito enquanto ficava naquele lance “abre o Instagram, rola o feed, fecha o Instagram, abre o Whastapp, encaminha meme, fecha Whatsapp, abre o Instagram, olha o Stories…….”. Está tudo errado.

Trabalhar muito não é bom. Mas trabalhar mal é muito pior. São horas suas e da empresa que são desperdiçadas. A vida é curta. E não são as lembranças nas redes sociais que aumentam nossa longevidade. Grande abraço!

Laurício Costa
Gestor de TI

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