A equipe do Brasil entra em campo na Arena Rostov, na tarde deste domingo, fazendo sua estreia na 21ª Copa do Mundo de Futebol. A seleção brasileira é a única presente em todas as etapas finais do torneio. Quando da primeira edição da então “Copa Jules Rimet”, em 1930, como a Fifa marcara a competição para o Uruguai, os europeus, ou por represália pela escolha do país sul-americano, ou por declinar da longa viagem marítima, único meio de transporte disponível na época, na maioria se ausentou.

No futebol brasileiro, a rivalidade Rio-São Paulo durou quase um século. Na Copa de 30, havia no Brasil duas entidades dirigentes no futebol; e as paulista e carioca não se entenderam na formação da equipe nacional e só foram ao Uruguai jogadores do Rio de Janeiro. Na Copa de 50, o Brasil estreou no Rio (4×0 no México) com um time “carioca” e no segundo jogo, houve empate em 2×2 com a Suiça, em São Paulo, com uma equipe “paulista”. Esse bairrismo acabou de vez na competição de 2002, quando o único jogador convocado que atuava no Rio era conhecido como Juninho Paulista. Nos últimos tempos, a maioria dos jogadores vem da equipes europeias; na de hoje, só três ”nacionais”: os corintianos Cássio e Fagner e o gremista Geromel.

Equívocos e coincidências ocorreram ao longo da participação brasileira nesse evento internacional. As derrotas do Brasil nas Copas de 38 e 54 foram creditadas à arbitragem; as de 50 e 82, à soberba; em 98, pela imprudência; em 78, classificou-se e depois foi eliminado no saldo de golos; em 86, pelo pênalti perdido por Zico; em 90, porque tinha um técnico com nome contendo a palavra “azar”; na última, apesar do vexame, chegou ao 4º lugar, com um grupo nada além de médio; só reconheceu a derrota em 66, porque tinha um time muito ruim, única vez , após a reinício da competição, que foi eliminado na fase de grupos.

A opinião esportiva nacional elege o time de 70 como a melhor seleção de todos os tempos, com menção honrosa para as de 58 e 82. Desta feita, a país tem um time que pode chegar, pois a seleção do Tite registrou auspiciosa campanha pré-Copa: em 21 jogos, 17 vitórias e só 1 derrota. Está formada por um elenco de boa técnica e um ou outro “fora de série”. Só em 70 e 2002 nunca deixou dúvidas, pois venceu todos os jogos. Em 94, nos Estados Unidos, ganhamos a Copa nos pênaltis, com o “retrancão” de Parreira e Zagalo. Parte da crônica esportiva reclamava do “jogo feio” do Brasil, que vinha ganhando, mas, segundo alguns, “poderia ganhar mais fácil”.

Seja qual for a situação econômica, financeira, política do país, as atenções, agora, passada a crise do abastecimento, ficam voltadas para as praças esportivas da Russia, pois, como diria o saudoso dramaturgo Nelson Rodrigues, “a Seleção é a Pátria de chuteiras”. Evocando o refrão de 70, “todos juntos vamos”, é hora de confiar na canarinho para superar outras equipes nacionais também favoritas, como Alemanha ou Espanha, e até França e Argentina. Com Neymar e Cia. temos bons motivos para nos animar com a sonhada conquista do Hexa.

Rivadavia Severo