Estamos no apagar das luzes de um ano em que ocorreram algumas mudanças para melhor no País, mas pouco sentidas pela população em geral.

Se tomarmos alguns indicadores econômicos, veremos que a economia depois da maior queda acumulada nos últimos 116 anos, parou de cair, devendo apresentar leve crescimento neste ano. No entanto, o desemprego, que é a maior chaga social, reduziu muito pouco.

O mais significativo foi a grande queda da inflação, de mais de 9% no ano passado para menos de 3% neste ano. No entanto, os continuados reajustes dos combustíveis retiram essa impressão de melhora das pessoas.

E para piorar, as regiões do Estado atendidas pela CEEE terão um acréscimo de 30% nas contas de luz, o que não caberá no bolso da maioria da população.
O positivo dos reajustes dos combustíveis foi a redução para menos da metade do prejuízo da Petrobras, de R$ 35 bilhões no ano passado, valor este equivalente à receita líquida do Estado do RS.

Nosso Estado, atravessando a maior crise fiscal de toda sua história, está na dependência da concretização do acordo com a União, do denominado Regime de Recuperação Fiscal, que precisa ser aprovado pela Assembleia Legislativa. Ele pode não ser (e não é) o melhor dos mundos, mas é única alternativa que temos. Sem ele, os déficits serão insustentáveis.

O pior desse Regime é a necessidade de aderirmos a ele, porque ao longo dos anos e, principalmente, nos últimos, gastamos muito além do que arrecadamos. Nos últimos anos esses gastos foram em custeio. Se fossem em investimentos produtivos seriam aceitáveis.

Mas o ano quase passou e tomara que leve consigo as tristezas, as desilusões e os ódios e que o novo ano nos traga esperança, entendimento e sucesso naquilo que empreendermos.


Tomara que possamos ter um segurança e saúde melhores, e que a educação deixe de ser objeto de demagogia ou discurso de palanque, porque sem a tecnologia que só o conhecimento é capaz de viabilizar, não chegaremos a lugar nenhum, especialmente numa país sem poupança e de população em demasiado processo de envelhecimento.


A mensagem que deixo para o ano que entra, ano de eleição, é que na escolha de nossos governantes saibamos discernir entre o discurso fácil e o que é consistente, às vezes amargo, mas sincero e verdadeiro.

Darcy Francisco Carvalho dos Santos
Economista. Contemplado pelo Prêmio do Tesouro Nacional em três oportunidades.