O dia 7 do mês resultou marcante na vida de Pedro de Alcântara: nesse dia, em setembro de 1822, proclamou a independência do Brasil, tornando-se, no fim do ano, imperador do novel país, sob o título de D. Pedro I; menos de dez anos após, em data de 7 de abril, abdicava do trono brasileiro, mudando seu título para Duque de Bragança.

Diga-se de passagem, já era reincidente no ato, pois havia renunciado ao trono português, sob a insígnia de Pedro IV, rei de Portugal de março a maio de 1826. A fuga da família real portuguesa para o Brasil, motivada pela invasão das tropas do general Junot, a mando de Napoleão Bonaparte, trouxe para a colônia de Portugal, em 1808, a rainha D. Maria I, seu filho e regente D. Joao VI, sua esposa D. Carlota Joaquina, os filhos Pedro e Miguel, e as filhas Maria Teresa, Maria Isabel, Maria Anunciação, Maria Francisca e Isabel Maria.

Desde a chegada ao Brasil, aos 9 anos de idade, o pequeno príncipe, segundo na linha de sucessão ao trono português – por força da morte do primogênito, Francisco Antonio, passando a primeiro – manteve relações distantes com os pais. A mãe, a espanhola D. Carlota Joaquina, irmã de Fernando VII, rei da Espanha, preferia o filho mais moço, D. Miguel, fruto, segundo rumores, de aventura extraconjugal; às voltas com as atribulações de um rei hesitante, o pai pouco tempo dispensava ao filho.

Assim, o futuro imperador brasileiro criava-se solto nas ruas do Rio de Janeiro, entre as mais variadas aventuras. Influenciado pelo filósofo franco-suíço Benjamin Constant Rebecque, adepto da monarquia constitucional, possuía forte tendência liberal.

D. João VI poderia ter retornado para Portugal dois anos após sua chegada ao Brasil. Na época, o Rio de Janeiro era a única sede de um império europeu fora da Europa. Seis meses após a invasão francesa, o exército invasor cedia grande parte do país. Na ausência do regente – a rainha D. Maria I fora interditada por insanidade – a chefia do governo ficou a cargo do general inglês William Carr, visconde de Beresford, até a revolução do Porto, em 1820.

Durante a estada da família real portuguesa no Brasil, o único movimento republicano foi a revolução pernambucana, debelada por D. Pedro em dois meses. Chamado com insistência para retornar e assumir seus deveres na pátria, ora como regente, já como rei, não tinha a menor ideia do que lhe aguardava na Metrópole. Contra sua vontade, pois aqui se sentia querido, respeitado e seguro, diante da negativa de D. Pedro representá-lo em Lisboa, o rei D. João VI partiu, com um terço da comitiva que trouxera, a 26 de abril de 1821.

As cortes portuguesas, porém, não ficaram satisfeitas, pois queriam que o príncipe também retornasse, a fim de terminar sua formação como futuro rei da Nação. Pressionado por todos os lados, o príncipe regente vacilava entre os desejos conflitantes europeus e sul-americanos. A elite brasileira entendia que a presença de D. Pedro era fundamental para a manutenção do Reino do Brasil, unido ou não a Portugal. Aconselhado por sua esposa, D. Leopoldina de Habsburg, arquiduquesa da Áustria, e seu principal ministro preferido, José Bonifácio, a 9 de janeiro de 1922 dava passo decisivo para o rompimento com Portugal, decidindo pela permanência no Brasil.

A célebre frase do “Dia do Fico”, … como é para o bem do país e felicidade geral da Nação, diga ao povo que eu fico… foi obra do juiz José Clemente Pereira, no Senado da Câmara.

Para historiadores modernos, o extremismo e a intransigência dos deputados portugueses fizeram a independência do Brasil, pois a maioria do povo nunca cogitou a separação completa da Metrópole. As cortes portuguesas radicalizaram, anunciando que enviariam tropas para prender D. Pedro e trazê-lo para Lisboa. Esses acontecimentos influíram em seu gênio impulsivo, levando-o ao célebre brado das margens do rio Ipiranga.


Rivadavia Severo