Faltam poucos dias para o início da Copa do Mundo na Rússia. Lembroa copa de 1970, no México, em que o Brasil sagou-se tricampeão. Com Pelé em campo, parece que as jogadas eram mais fáceis e as vitórias vinham com naturalidade. O ufanismo da época era regido pela ditadura militar que aproveitava a censura para afirmar que “este é um país que vai pra frente”. A ninguém era dado o direito de pensar diferente. Cada vitória da seleção canarinho servia para respaldar o mote de que “ninguém segura este país”. Ganhamos a copa e até feriado o governo determinou que houvesse no dia da chegada da comitiva vencedora. Era a tentativa de demonstração de entrosamento e um espírito de unidade entre a política praticada daquela forma e a alegria de um povo que amava futebol. Quase a repetição da política dos antigos romanos em que vigorava o ‘pão e circo’, embora no Brasil sempre houvesse mais circo do que pão.

Hoje, é visível certo desinteresse nas questões da seleção brasileira de futebol. Os efeitos da última copa, especialmente o 7 X 1 sofrido diante da Alemanha é sempre lembrado e nos traz dissabores. O amarelo do uniforme desgastou-se ainda mais, posteriormente, usado como símbolo de um lado político que apoiou o golpe de 2016. E o pior, a frustração com o governo que assumiu e se revela a cada dia mais inoperante e envolvido com corrupção. É realmente uma experiência singular em que o movimento vencedor do “impeachment”, hoje está retraído. Recolheu as panelas e sumiu. Não sabemos se é por constrangimento. Na prática, é visível o retrocesso.

A nós torcedores resta a esperança no hexa da seleção. Culturalmente pertencemos à “pátria de chuteiras”, boleiros desde o nascimento. E a presença do futebol arte e mais vitorioso em copas do mundo é marca que nos acompanha sempre.
O legado de nossas seleções de futebol é motivo de orgulho. A seleção brasileira traz uma motivação intrínseca, capaz de estimular um sentimento positivo de uma nação vencedora. O próprio futebol em si, é agente social importante, na medida em que emprega milhares de pessoas, como atletas ou dirigentes e funcionários de clubes.

Que a Seleção Brasileira de futebol trate de se salvar com as forças de seus jogadores. Descartem prováveis tentativas de vínculos e apoios com os atuais órgãos governamentais. Na atual conjuntura seria mais um adversário invadindo o campo de jogo a jogar contra nossos atletas. E, se valesse sugestão, esqueça o uniforme amarelo e jogue todas as partidas com as camisetas azuis.

Pedro Antônio Silva