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Baianos comemoram a Semana Farroupilha

Baianos comemoram a Semana Farroupilha

No dia 10 de setembro de 1837 Bento Gonçalves fugiu do Forte do Mar, em Salvador, Bahia. Este ano o Centro Gaúcho da Bahia e o Instituto Geográfico e Histórico convidaram os rio-grandenses, através do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, para participar das comemorações dos 180 anos deste feito heroico, um episódio muito noticiado na época porque o líder farroupilha era considerado o preso político mais importante do Brasil.

Esta façanha revigorou os rebeldes gaúchos e ajudou os baianos a preparar uma revolta pela independência da Bahia, mas foram infelizes e acabaram dizimados após quatro meses de combates. Muitos dos soldados baianos e oficiais graduados conseguiram fugir para o Rio Grande do Sul. Foram incorporados ao exército farroupilha e participaram da guerra até o convênio de paz assinado em 1845.

Derrotados na Sabinada, nome derivado do líder baiano, médico Francisco Sabino, mais de cem “sabinos” ficaram por aqui, criando um vínculo de admiração mútua que perdura até hoje, o que se comprova pelas domingueiras, fandangos efestas gaúchas que promovem no Centro Gaúcho da Bahia.

O Centro Gaúcho da Bahia foi constituído como um clube recreativo com um departamento de Tradições formado pelo CTG Rincão da Saudade. O Clube foi fundado em 08.12.1965 , e em 1972 foi construída a sede. Em 1976 foi inaugurada a Escola Piratini que hoje funciona na sua sede através de um convênio com a Prefeitura. São 260 alunos do Ensino Fundamental. A parte pedagógica, professores e manutenção é da Prefeitura. O CTG promove atividades como exposições, palestras, música e danças.

 

 

Invernada Artística do Centro Gaúcho da Bahia

Atualmente o Centro é dirigido pelo patrão Telmir G. Lunardi; João Mello, Diretor Tesoureiro ou Agregado das Guaiacas, como alguns mencionam; Pedro Mello, Diretor Administrativo; Sergio Cruz, Secretário; Carolina Lunardi, Diretora Social; Moacir Brum, Diretor de Tradições e responsável pelo CTG.

Conta também com os colaboradores diretos: Feliciano, Mary, Simone. Feliciano escreveu o seguinte poema para comemorar os 180 anos da fuga de Bento Gonçalves:

1837
I
No círculo, em meio ao mar
nas águas de Todos Santos
estava um gaúcho a penar,
e ali penaram outros tantos…
Em sua mente uma ânsia
malhava como um martelo:
– como voltar à sua estância?
-como fugir de São Marcelo?
Caíra em grande armadilha
nas terras de tempo e vento,
era um general Farroupilha,
todos o conheciam por Bento.
Lá da seteira da masmorra
via uma Ilha do outro lado,
como se fora alguma borra,
sob um céu muito estrelado,
avistava as casas da cidade,
mas tinha o plano traçado…
da utopia e solidariedade
se tornou um beneficiado.
Na cidade a revolta rugia,
e outros também ansiavam
por se envolver na jornada,
corações compartilhavam,
sonhavam com a alvorada
os gaúchos, os nordestinos.
Bento fugiu, tomou tenência,
com a ajuda dos Sabinos,
logo voltou, na querência,
a combater monarquistas.

II
Dos farrapos contra dobrões,
dentre derrotas e conquistas,
lanceiros contra canhões
sobrou este ideal altaneiro:
vale mais a honesta prenda
do que bruaca com dinheiro,
de nada nos serve a renda
se a honra estiver perdida.
Fiquem dourados com ouro
e nós vamos vivendo a vida,
sem Salamanca ou desdouro.
Estas histórias e a geografia
de Sabinos, de Farroupilhas
deveremos contar, todo dia,
aos filhos e as nossas filhas,
enaltecendo uma democracia
nos embates de republicanos.
Se parece que foi outro dia…
já tem cento e oitenta anos
que o Bento fugiu da Bahia.
O Brasil progrediu e agora
ao escriba resta a mágoa
– vendo o esforço d’outrora,
a nau- nação- fazendo água:
– faltaram poucas polegadas
para adentramos aos sonhos
de quem seguimos pegadas.
Sim… a história não se repete,
mas bandeiras foram fincadas
pelos heróis de trinta e sete.

Feliciano Tavares Monteiro
Salvador, Bahia, em 10 de setembro de 2017. Baía de Todos os Santos – Fortaleza do Mar

 

Palestra e debate sobre a fuga
de Bento Gonçalves

O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul designou o jornalista caçapavano Euclides Torres para representá-lo nas comemorações alusivas à fuga de Bento Gonçalves e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia foi representado pelo jornalista e também historiador Jorge Ramos.

A palestra dos dois foi realizada na sede do IGH da Bahia com apresentação artística do CTG Rincão da Saudade. O representante gaúcho falou sobre episódios importantes da guerra civil ocorridos em Caçapava em 1839 e 1840 e o baiano sobre detalhes da fuga de Bento Gonçalves até então desconhecido entre nós.

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