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Bombeando horizontes – Abrindo caminhos – Zauri Tiaraju de Castro

Bombeando horizontes – Abrindo caminhos – Zauri Tiaraju de Castro

No início de 1974, eu servia em São Gabriel-RS, no posto de Segundo Tenente, a minha primeira cidade como oficial do EB. No quartel do 6° BE Comb eu recebera a função de Chefe do Serviço de Informações e Relações Públicas da Unidade com bastante atividade social em nosso meio e tempo para jogar bola na hora do treinamento físico obrigatório, a dita educação física. Encaminhava-se um ano tranquilo para quem não tinha tropa para comandar, transformado em jovem burocrata.

Em abril, chegou um rádio (telegrama) de Brasília, pedindo um oficial para servir em Boa Vista, Roraima, onde havia um Batalhão de Engenharia de Construção, trabalhando nas rodovias de Manaus até as fronteiras da Venezuela e Guiana. Fui voluntário para aquela missão.

Passei um mês em Boa Vista, lidando com os recrutas “índios macuxis” no quartel, até ser designado para o Destacamento Sul, no Km 220 da BR-174, ainda de terra batida, de Manaus na direção Norte, buscando o encontro com o pessoal que tocava o serviço de abertura da estrada de Boa Vista para o Sul . Esse encontro ocorreu no final de 1975, próximo ao marco da linha imaginária do Equador, onde foi construído um monumento, no estado de Roraima, a cerca de 500 Km de Manaus.

O sistema de trabalho era diferenciado para os 330 civis e 100 militares do nosso destacamento comandado por um major. Não havia sábado, domingo, noite ou dia, nem feriados em nosso calendário. No fim do mês, após ser realizado o pagamento do pessoal civil em dinheiro, formava-se um comboio de cerca de doze/treze ônibus da SOLTUR locados para levar a turma para Manaus, donde retornariam ao sétimo dia da dita Dispensa de Arejamento. Os milicos tinham mais 2 dias, de 15 em 15 dias, porque a maioria deixava mulher e filhos morando em Manaus por causa da escola. Havia aqueles que não viajavam nunca por motivos os mais diversos, os laranjeiras (sem família, caçadores, pescadores, poupadores etc).

Decidimos ir a Manaus de dois em dois meses ou em ocasiões especiais. Nosso divertimento era bater pernas pela Zona Franca, onde quase tudo era uma grande novidade tecnológica naquela época, principalmente, para quem morava, numa casa de madeira rústica, cercada de floresta por todos os lados, sem TV, internet ou telefone.
Durou um ano e meio essa aventura inicial no coração da selva amazônica donde saí com malária e alguns quilos a mais de volta para São Gabriel. Ah, ficou também uma ponte sobre o Igarapé do TIARAJU, no Km 243, assim batizado pelo trabalho que ali executei.

Zauri Tiaraju de Castro
ztiaraju@yahoo.com.br

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