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Bombeando horizontes – Carnaval, a festa do povo – Zauri Tiaraju de Castro

Bombeando horizontes – Carnaval, a festa do povo – Zauri Tiaraju de Castro

Quando morava no Rio de Janeiro (1988) paguei cinquenta dólares para assistir a um desfile das Escolas de Samba no Sambódromo criado por Leonel Brizola: a exuberante Avenida Sapucaí.

Tudo lindo, maravilhoso, tipo programa de índio que a gente enfrenta dentro de um grupo de amigos para conhecere ver de perto. Transporte de ônibus circular umas duas horas antes do espetáculo, precisa descer da arquibancada para ir ao banheiro, tem que deixar o isopor identificado numa gaiola junto da entrada com a bebida para consumo próprio para fugir dos preços exploratórios de pegá turista, não existe a narrativa do desfile como acontece na TV e tu nem sempre entende o que está acontecendo, todo mundo que desfila quer assistir às outras escolas e retorna para as arquibancadas próximas da Praça da Apoteose e os lugares vão se tornando insuficientes…de longe, bem de longe, dá para ver a refundanga nos camarotes dos VIPs.

Os jornais mais famosos das grandes capitais, escritos e televisivo se agora as redes sócias se deliciam nas manchetes, anunciando assalto e roubo de turistas estrangeiros, celebridade que mostrou demais, carro alegórico que deu problema técnico, os trios elétricos dos baianos carregando Ivete, Cláudia Leite e as mesmas bandas de sempre com aquela multidão de suados, bêbados e drogados e até uns sóbrios, perambulando em ritmo de samba, axé ou frevo, descendo e subindo as mal calçadas ruas de Olinda-PE e o famoso Galo da Madrugada entupindo de gente as pontes antigas da velha Recife.

Para não ser apenas crítico devo reconhecer milhões de coisas boas no carnaval: a liberação geral da rapaziada, a sublimação dos gays (só menos explícito do que nas novelas da Globo), movimento no turismo doméstico e internacional e quatro dias para se esconder do trabalho, esse mal necessário que incomoda tanta gente. Ruim também para a polícia que fica de plantão ininterrupto e nem assim consegue dar conta de tanta confusão. Os governantes também entram em recesso e nos livramos das trapalhadas deles por esse largo período momesco.
Depois do carnaval o País vai começara funcionar para um ano de recessão e inflação roendo o nosso salário sempre magro. Só que em 2019 sem Copa e sem Eleição, mas com a Nova Previdência em discussão no Congresso Nacional e os filhos do Bolsonaro bombando na internet e os petistas, incansáveis, cantando o Lula livre.

Ah, em Caçapava, o Prefeito finalmente apareceu no meio do povo que já não lhe ama tanto como em outros carnavais.

Zauri Tiaraju de Castro
ztiaraju@yahoo.com.br

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