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Bombeando horizontes –  Em busca de sei lá o que – Zauri Tiaraju de Castro

Bombeando horizontes –  Em busca de sei lá o que – Zauri Tiaraju de Castro

Um belo dia despertei ao concluir a leitura de uma coluna do Juremir no Correio do Povo, falando da sua infância na longínqua Palomas. Em outro final de semana lia Campereada do Luiz Mendes, recordando da sua Vila Rica de antanho, onde vivera em guri na condição de filho de bolicheiro.

Corri para reler os textos em voz alta para análise da minha mulher: então não era só eu que me sentia perdido em relação a um sentimento de opressão interna e vontade de reviver a minha vida de campesino aposentado, ocioso, com tantas lembranças despertadas. Era aquilo que eu queria escrever e não sabia bem por onde começar. Não era depressão. Eu cultivava com carinho dentro de mim mesmo aquela sensação de perda, de falta de rumo, de incompetência para descobrir os meus demônios e conversar com eles.

Que diabos afinal eu gostaria de sentir ao ver que estava envelhecendo e parte do planejamento de toda a existência já não mais seria capaz de ser realizado. Era o tempo que passara ou fora eu que me perdera em conjecturas vãs pela estrada da vida que segue e nos abandona?

Durante uma Feira do Livro de Caçapava, assisti a uma palestra do mestre Alcy Cheuiche acerca de criação literária: eu poderia empregar o meu próprio palavreado e me inspirar em figuras humanas reais para inventar personagens convincentes para meus causos. Ah bom, mas aí tudo ficaria muito mais fácil. Eu conhecera cada tipo, cada figuraça de tirar o chapéu. Não seria nada complicado transfigurá-los só um bocadinho para entrarem nos meus escritos.

Eu já sabia que o passado não existe mais, quando muito dorme lá no baú do tempo, num escaninho da memória; o futuro é virtual e depende do conteúdo que desejamos que aconteça, do quanto ainda tenhamos capacidade de sonhar, e o presente é imperceptível como um acontecimento permanente. Quando está sendo, já está virando passado também. Então, qual é a duração do presente em nós que não conseguimos aprisioná-lo para saboreá-lo, espinafrá-lo e até tirar partido dele ?

E o tal aperto sufocante que me enredava em mim mesmo, na solitude de uma contemplação abstrata e vaga, continuava lá, faceirito no más, desafiando sabedorias e aumentando o meu desejo incontido de entender as coisas.

Nem Mário Quintana, nem Luiz Coronel, tampouco os pensadores irresponsáveis que a história da filosofia consagrou, nem os profetas de Cristo ou os surtos de clarividência dos humanos comuns metidos a sabichões, gurus, videntes, incorporados etc afirmam e confirmam o horizonte finito das nossas existências.

E eu, nessa confusão medonha ? Sei lá , entende?

Zauri Tiaraju de Castro
ztiaraju@yahoo.com.br

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