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Caçapava Memória – Antônio Chimango – Fátima Jovane Nunes

Caçapava Memória – Antônio Chimango – Fátima Jovane Nunes

O “poemeto campestre” Antônio Chimango, escrito pelo médico, professor, poeta, historiador, jornalista e político Ramiro Barcellos, sob o pseudônimo de “Amaro Juvenal”, é um exemplo quase didático dos deslocamentos da crítica literária quando se depara com um texto de grande impacto social junto aos leitores.

Publicado em 1915, o poemeto campestre satirizava a figura do então poderoso governador do Estado, Antônio Augusto Borges de Medeiros, que se tornaria adversário de Ramiro Barcellos na política Sul Rio-Grandense.

A formação de partidos políticos, as adesões e desistências de apoiadores na formação das legendas partidárias, que oscilavam entre liberais e republicanos e as rivalidades políticas da época definiram a circunstância inicial em que o poema foi escrito e lido.

Ramiro Barcellos, que teve sua candidatura ao senado barrada por Borges, resolveu ironizá-lo, através de uma sátira política com um longo poema de linguajar regional como forma de denunciar e tornar visível as manobras e conchavos praticados por farsas eleitorais. A partir da publicação, Borges e os borgistas passaram a ser chamados de “Chimangos” pelos opositores. Chimango significa uma pequena ave de rapina.

Esse é o cenário para a biografia do Chimango, que foi cantada através de cinco “rondas”, como parte do poema campestre narrado por duas vozes.

No dia 02 de novembro de 2015, a Capital do Estado festejou os 100 anos da primeira edição do poema “Antônio Chimango”. E em encontro no Santander Cultural para debater esse clássico, foram escalados os escritores Luís Augusto Fischer, Fausto Domingues e José Francisco Botelho.

No ano de 1982, a prefeitura de Caçapava do Sul, por iniciativa do então prefeito Cyro Carlos de Melo, realizou uma antiga aspiração do Grupo de Arte Nativa “Os Chimangos”, que através da Empresa Cantares Empreendimentos Culturais, fez o lançamento de um disco de vinil com o poemeto de Amaro Juvenal, musicada pelo argentino Martin Coplas.

A obra veio revigorar e sedimentar ainda mais a cultura gaúcha, através desse importante trabalho. As cenas externas do trabalho foram gravadas na sede campestre do CTG Sentinela dos Cerros e na propriedade do prefeito. Essa tarefa esteve a cargo de Elci Honório Dias de Lima, Eru Gabriel Dias de Lima, Cyro Carlos de Melo, Sadi Carvalho e Gabriel Berchon.

Para que os artistas conhecessem mais a obra e seus personagens, foi necessário que se proporcionasse um encontro galponeiro ao redor do fogo de chão. Na oportunidade, o Grupo de Arte Nativa “Os Chimangos” proporcionou alguns esclarecimentos, trazendo depoimentos escritos e orais, já que o nome do grupo é uma homenagem afetiva ao poema. Na ocasião, também participou o senhor Francisco de Assis Macedo, grande conhecedor da política da época, que embora sendo adversário político de Borges de Medeiros, mantinha um relacionamento cordial com o chimango. E histórias interessantes foram contadas naquela noite.

Uma comissão designada pelo Chefe do Executivo, aprovou a capa do disco e a arte gráfica, estrofes musicais, efeitos sonoros e trilha musical, respeitando a letra e o espírito lírico e satírico do texto de Ramiro Barcellos.

A história é contada por um tal de Tio Lautério que, através do disco, entrega ao Rio Grande… a história de um tal Antônio, Chimango por sobrenome…

Nos Cerros de Caçapava foi que viu a luz do dia,
À hora da Ave-Maria,
De uma tarde suja,
Logo cantou a coruja em honra de quem nascia.

Fátima Jovane Nunes
Pesquisadora
fatimajovane@hotmail.com

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