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Caçapava Memória – Baby Pignatari – Fátima Jovane Nunes

Caçapava Memória – Baby Pignatari – Fátima Jovane Nunes

Foto: Reproduação/Revista Cruzeiro

A história da mineração nas Minas do Camaquã, 3º distrito de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, ficou registrada pelo personagem ilustre de Baby Pignatari. O multimilionário, o aventureiro, o galã, o empresário, o industrial, o empreendedor, o solidário, o amigo.

Francisco Matarazzo Pignatari – mais conhecido como “Baby Pignatari”, apelido a ele atribuído por uma babá inglesa que cuidou do futuro industrial – nasceu em Nápoles, na Itália, em 11 de fevereiro de 1917, filho da condessa Lydia Matarazzo e de Giulio Pignatari, médico de família nobre genovesa.

Baby Pignatari foi um líder, um homem muito a frente de seu tempo, personagem singular na vida econômica e cultural do Brasil no século XX. Seu trabalho começou aos 17 anos, na Laminação Nacional de Metais, herdada de seu pai. Posteriormente, fundou outras 10 empresas. De sua vida particular constam quatro casamentos oficiais e um descendente da primeira união, chamado Giulio Cesare Pignatari. Em 1940, construiu uma mansão em São Paulo, projetada por Oscar Niemeyer.

Em 1942, a convite do então presidente Getúlio Vargas, Baby Pignatari passou a participar como acionista da recém criada Companhia Brasileira do Cobre (CBC), para explorar as minas de cobre em Caçapava do Sul. Na década de 50, assumiu o controle acionário da empresa e seguiu em frente com o ambicioso projeto de criar uma cidade modelo no Rio Grande do Sul, que era Minas do Camaquã.

Em 1968, construiu naquela localidade a residência oficial da presidência da companhia, num misto de madeira e alvenaria, cujo recanto lhe trazia paz e sossego, e onde juntamente com a esposa Maria Regina Fernandes, recebia os amigos e as visitas ilustres.

Em 1971, entusiasmado com as boas perspectivas da produção de cobre, Baby surpreendeu a todos, doando parte substancial das ações de suas empresas ao Governo Federal. Homem visionário e até paternalista, no entanto, por ser idealista, posteriormente veio a endividar-se, e mesmo tendo doado ações ao governo, este não o perdoou, vindo a expropriar seus bens.

Baby Pignatari, além de grande administrador, tinha preocupações sociais. Nesse sentido, sua maior obra foi a construção de uma cidade para atender seus funcionários, preocupando-se com moradia para todos e, principalmente, com o atendimento gratuito à saúde, com hospital equipado com gabinetes médicos e odontológicos, inclusive com aparelho de Raio X, para atender os mineiros e suas famílias, além de moradores da região, pois o hospital de Caçapava ainda não possuía tal aparelho. Possuía um avião equipado e, muitas vezes encaminhou doentes para tratamento em São Paulo, sem nenhum custo para o paciente. E a cidade de seus sonhos tinha Cinema, Estação Rodoviária, Clubes de Lazer, Campo de Aviação, Igreja, Colégio, Mercado, Padaria, Farmácia, etc.

Em reconhecimento ao seu trabalho, Baby Pignatari foi homenageado pelo município, recebendo o título de “Cidadão Caçapavano”, em 11 de agosto de 1971. Também foi membro honorário da Associação de Pais e Mestres da Escola Santíssimo Nome de Jesus, tendo custeado todas as despesas de apresentação da Banda da instituição em São Paulo. Nas Minas do Camaquã, foi homenageado com o nome do Largo em frente ao Cine Rodeio, denominado através de Lei Municipal nº352, de 20 de outubro de 1992.

Baby Pignatari procurou ser o melhor em tudo: na vida, no trabalho, na boemia e na amizade. Era um homem de bom coração, que amava e valorizava seus funcionários, os quais ainda hoje sentem saudades do bondoso Patrão.

Francisco Matarazzo Pignatari, o Baby Pignatari, faleceu em 27 de outubro de 1977, em São Paulo. E neste ano, registra-se o centenário do seu nascimento e 40 anos de seu falecimento.

Fátima Jovane Nunes
Pesquisadora

 

10.05.2017

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