Prédio de arquitetura colonial com quatro águas, beiral, telha de canal, cimalha, cunhais, pestanas e bandeira cega, apresentando na parte frontal o escudo da família Cintra. É tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (IPHAE). Passou por diversas reformas, mas manteve suas características arquitetônicas inalteradas.

A “Casa dos Ministérios”, imóvel localizado na esquina da Rua Sete de Setembro com a Borges de Medeiros é um dos pontos históricos que mais representa a nossa cidade. Nele, esteve instalado o Governo da República Rio-Grandense e seus ministérios, onde foram tomadas grandes decisões no período em que Caçapava do Sul tornou-se a Segunda Capital Farroupilha, de 1839 a 1840. A casa foi de propriedade da família de José Pinheiro de Ulhoa Cintra, ministro de diversas pastas no período republicano.

No local, funcionou ainda um museu criado por Percival Antunes, com a colaboração do doutor José Galeno Teixeira, e a Secretaria de Município da Cultura e Turismo.

Também ao lado do prédio com entrada pela Rua Borges de Medeiros funcionou a tipografia do jornal “O Povo”, onde foram impressas 115 edições de conteúdo político, literário e ministerial, com circulação às quartas-feiras e sábados, servindo para divulgar os atos oficiais dos farroupilhas.

Atualmente, o prédio é de propriedade de Tânia Paim Antunes e encontra-se em ruínas, com rachaduras nas paredes e parte do telhado já desabou, sendo invadido por morcegos. Enfim, está em péssimo estado de conservação. E devido ao alto custo de manutenção e a falta de recursos financeiros para a devida restauração, a proprietária colocou o mesmo à venda.

Eu entendo que o referido prédio constitui-se num dos pontos que mais marcaram a história de Caçapava do Sul, encontra-se no Centro Histórico da cidade e, mesmo sendo de propriedade particular, ele foi “tombado” pelo Estado, que deveria destinar verbas para a sua manutenção e conservação.

Na Casa dos Ministérios, decisões importantes foram tomadas. E decisões importantes também deveriam ser tomadas pelos governantes e políticos que assistem há anos o seu patrimônio cultural e histórico se deteriorando gradativamente. Deve haver um meio para o município adquirir esse imóvel e fazer a respectiva restauração. Talvez uma emenda parlamentar com verba específica ou outro recurso constante do orçamento anual do município fosse uma solução. Não sei, mas algo precisa ser feito. Ou quem sabe algum empresário tem interesse em adquiri-lo e conservá-lo?

É muito triste presenciar, no centro da cidade, um prédio histórico caindo aos poucos e arbustos crescendo em cima do seu telhado danificado a cada dia.

Caçapavanos, a “Casa dos Ministérios” pede socorro…

Fátima Jovane Nunes
Pesquisadora