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Capela da Esquina do Segredo vira sala de aula

Capela da Esquina do Segredo vira sala de aula

Breno Pereira da Silva e Adelina Fernandes

Na capela na localidade de Esquina do Segredo, interior de Caçapava do Sul, um grupo de pessoas se reúne todas as segundas, terças e quintas-feiras. Eles não vão ao local para rezar, mas para dar continuidade aos estudos e aproveitar as oportunidades de aprendizagem oferecidas pelo Senar.

São agricultores, donas de casa e trabalhadores rurais que moram no Alto da Meia Légua, Vila Pereirinha e Esquina do Segredo, entre 33 e 73
anos de idade, que participam do Programa Alfa, desenvolvido pelo Senar, em parceria com o Sindicato Rural e apoio da Secretaria Municipal de Educação.

Segundo a professora Taline de Freitas Rodrigues o programa oferece 200 horas de alfabetização em seis meses, complementadas por dois cursos regulares, de forma gratuita.Para montar a turma ela teve que bater de porta em porta nas três localidades para explicar o objetivo do programa de alfabetização e convencer os moradores que o Alfa faria a diferença em suas vidas.

– O trabalho não é fácil. Algumas vezes os filhos acabam desestimulando os pais, devido sua idade. No entanto, argumento que além de aprender a ler e escrever ou recordar o que aprendeu quando era criança, a pessoa também terá vida social. Aqui fizemos bingos, jantares, comemoramos aniversários. Eles adoram, afinal, saem de suas rotinas de trabalho no campo ou em casa.

A turma de 17 alunos conta com a participação de um casal, Breno Pereira da Silva, 61 anos e Adelina Fernandes, 68 anos. Seu Breno é aposentado da mineração, trabalha na pequena propriedade na Esquina do Segredo e ainda executa serviços rurais quando é chamado.

– Eles moram pertinho da capela, estavam vindos todos os dias. Agora seu Breno está fazendo um alambrado e faltando as aulas. Ele disse que nesta semana termina o serviço e vai voltar a estudar – conta a professora.

Iolanda Dias da Silva

Iolanda parou de estudar para dar lugar ao irmão
Iolanda Dias da Silva, 58 anos, é só sorriso. Ela acha graça de tudo. É com essa alegria que ela leva vida. A dona de casa do Alto da Meia Légua é casada e tem três filhos. Estudou apenas a primeira série do ensino fundamental. Ela frequenta o programa Alfa há três anos, tempo máximo que um aluno pode participar. Neste ano, precisou de liberação da coordenação do programa para acompanhar as aulas.

– Fui para escola aos 10 anos e fiquei só um ano. O pai me tirou para eu ajudar em casa e dar lugar ao meu irmão mais novo. Naquela época tinha pouca vaga, saia um e entrava outro até ficar grandinho para ajudar na lavoura – conta.

Faceira por uma filha estar cursando Engenharia Ambiental e Sanitária na Unipampa. Iolanda disse que está estudando para sair da rotina de dona de casa, conviver com os colegas e aprender o que não pode fazer quando era criança.

Favorina Freitas

Favorina saiu do colégio das freiras chorando
A dona de casa e diarista Favorina Freitas, 54 anos, mãe de um casal de filhos, estudou até o quinto ano na escolinha rural na localidade de Santa Bárbara. Depois veio para cidade morar com familiares e estudar no antigo colégio das freiras (atual Instituto de Educação).
Só que o sonho de morar na cidade grande se transformou em pesadelo. Os donos da casa onde ela estava morando de favor queriam que ela fizesse todo o serviço doméstico, enquanto as outras meninas da casa ficavam de pernas para o ar.

– Quando o papai soube o que estava acontecendo não gostou da história. Encilhou um cavalo e veio me buscar. Fui da cidade até minha casa (16 km) chorando. Apesar da situação que estava passando, queria ficar para estudar, mas não tive a chance – revela.

Dona Favorina está frequentado o programa Alfa pelo segundo ano consecutivo para se atualizar, pois esqueceu algumas coisas que tinha aprendido anos atrás.

– Quando falei para meus filhos que voltaria para sala de aula eles estranharam. Eu disse que nunca era tarde para estudar e então eles passaram a me apoiar. O que mais gosto nas aulas é dos trabalhos manuais e a convivência com os colegas – declara.

Márcio dos Santos Soares

Márcio abandonou os estudos para trabalhar
Márcio dos Santos Soares, 33 anos, sempre morou no interior e trabalhou no campo. Primeiro nas Guaritas, onde estou até o quarto ano. Ele parou de estudar aos 18 anos. Quando resolveu ajudar os pais na propriedade rural. Quando a família veio morar na Esquina do Segredo Márcio seguiu trabalhando no campo, na criação de vacas e a venda de leite na região.

No terceiro ano no programa de alfabetização do Senar, Márcio conta que foram os vizinhos que o incentivaram a voltar a estudar. Ele gostou tanto que em 2016 não faltou uma aula.

– Vim e gostei. Além de aprender, converso com o pessoal, participo das brincadeiras e o melhor que é pertinho de casa. Aqui é bom demais.

 

Taline de Freitas Rodrigues (em pé) é professora do Programa Alfa

 

Gazeta de Caçapava
Fotos: Marcelo Marques e Taline Rodrigues/Divulgação

05.05. 2017

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