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Caçapava e a Guerra Civil de 1835 – Parte II

Caçapava e a Guerra Civil de 1835 – Parte II

Naquele distante janeiro de 1839, os escritórios e gabinetes da República Riograndense em Piratini foram desmanchados, a documentação oficial do governo colocada em mais de uma dezena de carroções puxados por bois e, escoltados por centenas de soldados e artilharia até a linha de defesa de Caçapava. A viajem durou mais de um mês. Em 14 de fevereiro de 1839, os Farroupilhas e seu comboio chegaram pelo sul, repeliram algumas modestas escaramuças e, num silêncio constrangedor, marchando lentamente pela atual Rua XV de Novembro, tomaram a Vila de Caçapava. O Governo Republicano se estabeleceu na grande residência existente próximo à Igreja Matriz, de propriedade da família Ulhoa Cintra. O Estado-Maior do Exército Republicano foi aquartelado no antigo quartel dos Dragões de Rio Pardo, no prédio do atual Centro Municipal de Cultura Arnaldo Luís Cassol, e as tropas foram aboletadas nas casas da pequena Vila.

Os anos de 1839 e 1840 foram extremamente duros para os Republicanos. Mesmo com a tomada de Lages – em abril – e de Laguna em julho, o Império ferozmente atacou e destruiu posições do exército republicano. Neste período, os estaleiros dos farroupilhas são destruídos e praticamente todas suas embarcações são capturadas ou afundadas. Estas ações isolam Laguna e a cidade é tomada pelos imperiais em 15 de novembro de ’39.

O sonho estava acabando. Sem recursos, sem armas e nem saída para o mar – que permitiria o escoamento do charque para outros mercados – a Revolta que levou a uma guerra de secessão tinha os dias contados.

A pressão constante do exército brasileiro, o esgotamento dos recursos dos rio-grandenses, a destruição e saque das estâncias e a mortandade dos filhos do Rio Grande, mais uma vez, pressionaram os farroupilhas em direção a Banda Oriental. Em 22 de março de 1840, os Republicanos abandonam Caçapava e rumam para a terceira e última capital dos Farrapos: a Vila de Alegrete.

Os cinco anos que a Guerra ainda durou foram melancólicos. A República Riograndense moribunda foi morta em primeiro de março de 1845, quando da assinatura do vergonhoso Tratado de Ponche Verde, atestado de óbito da Revolução Farroupilha.

Caçapava, por 11 meses, foi a Capital Republicana. E nossa cidade ficou marcada para sempre.

Passados mais de 180 anos, os sons dos cascos dos cavalos e dos gritos das tropas ainda ecoam pelas vielas, ruas e nas memórias dos caçapavanos, lembrando aqueles que aqui vivem que é na luta que está o único motivo de viver.

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