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Centenário do pastor Alceu Moreira de Vargas (in memorian)

Centenário do pastor Alceu Moreira de Vargas (in memorian)

Aos trinta e um dias do mês de agosto do ano de mil novecentos e dezessete, nasceu na cidade de Caçapava do Sul, Alceu Moreira de Vargas, filho de Pacifico José de Vargas e Amada Moreira de Mello, tendo como avós paternos Silvestre José de Vargas e Cândida Cordeiro da Silveira, e avós maternos Germano Moreira Crespo e Thereza Gonçalves de Mello.

Como filho, herdou de seu pai as habilidades de fazer cordas, rédeas e buçais de couro, a trabalhar nas lidas do campo e na roça; de sua mãe, provavelmente o apego a Deus. Na idade de vinte um anos aproximadamente, deixou a casa dos pais para trabalhar nas empreitadas de arroz a fim de juntar dinheiro para ir para a cidade, se registrar e alistar-se no Serviço Militar.

Serviu ao Exército na cidade de Pelotas, no 9º Regimento de Infantaria, e durante a segunda guerra mundial, como 3º Sargento integrou o contingente da Força Expedicionária Brasileira, responsável pela segurança da costa litorânea, no município de São José do Norte. Com o fim da guerra deu baixa do exército para cuidar de sua mãe que ficara viúva, e aos 36 anos conheceu o Senhor Jesus Cristo, na cidade de São Sepé, onde em 1953 casou-se com a jovem Iracema Munhóz de Souza, filha de Alcibíades Souza e de Eudóxia Becker Munhóz, vindo a fixar residência em Caçapava do Sul.

ASSEMBLEIA DE DEUS
Foi pioneiro da Igreja Evangélica Assembléia de Deus nesta cidade, sendo os atos fúnebres de sua mãe Amada, um dos primeiros atos da Igreja em Caçapava. Nossa avó converteu-se da sua antiga religião, ao Senhor Jesus Cristo, através do exemplo de vida cristã de seu filho Alceu, sua transformação de vida. O casal Alceu e Iracema, criaram os filhos Ezequiel, Raquel, Pacifico, Geremias, Amós, Alceu, Elizabete e Rudimar. Homem trabalhador por natureza, dedicou-se ao trabalho de campo e ao comércio, mas o chamado para servir a Deus falou mais alto, com sua convocação como Evangelista missionário no ano de 1963, para levar o evangelho pentecostal na cidade de Panambi. Após breve período de residência em Ijuí, então sede da igreja naquela região.

Mudou-se para Panambi e como pioneiro fundou a Igreja Evangélica Assembléia de Deus naquele município, realizando o primeiro culto num domingo à tarde no dia 12 de abril de 1964, na Vila Pavão em casa alugada do senhor Americano Lopes.

Nessa sua empreitada como desbravador, entre tantas maravilhas, curas e libertação, recordamo-nos da cura de um senhor que há muito se encontrava enfermo, acamado, praticamente sem condições de andar e recebeu a cura. Mas, também, enfrentou muitas dificuldades, deslocamentos de bicicleta, ou longas caminhadas a pé, ou de carona com irmãos, em carroças ou lambretas, para realizar os cultos; e tribulações, como o episódio que ocorreu no interior daquele município, em um culto, na localidade de Morengaba, na casa do irmão Pompílio Dessbessell, quando um grupo de indivíduos se combinou de esperar o pastor Alceu numa picada, e armaram-lhe uma emboscada; compraram cachaça e foguetes, para que o fizessem beber a água ardente à força, despi-lo e surrá-lo.

Mas, Deus que tudo vê, livrou o seu servo, e ao término daquele culto um irmão chamado João Batista convidou o Pastor para passar a noite na sua casa, o que aconteceu. Como naquela noite ele não voltou pelo mesmo caminho, o grupo que armara a emboscada, dirigiu-se à casa do irmão Pompílio Dessbessel, e largando foguetes gritavam: “Onde está esse pastorzinho espertalhão e vigarista? Sai para fora!” Porém, foram informados que o Pastor não estava, com o que ficaram deveras indignados e insultaram o irmão Pompílio, por ter cedido a sua casa para o culto e ter aceito a palavra da salvação.

O assunto foi ao conhecimento do pastor Alceu, o qual entregou tudo nas mãos de Deus. Passado algum tempo, o chefe do grupo e mentor do plano, foi lavrar a terra para cultivo e foi acometido de uma loucura, acabando por enforcar-se; outro integrante comprou um caminhão e quando descia um lançante o mesmo perdeu o freio e virou, tendo quebradas as duas pernas. O terceiro indivíduo, Sr. Lúcio Amorim, hoje de saudosa memória, ficou tão aterrorizado pelos acontecimentos, que ele e toda a sua família aceitaram a Jesus Cristo, relatando o fato e cedendo a sua casa como ponto de pregação do evangelho.

No ano de 1967, o Pastor Alceu, então evangelista, foi designado para atender a Igreja na cidade de Augusto Pestana, e em 1968 retornou à região, para a vizinha cidade de São Sepé, tendo sido designado no ano de 1969 para atender a Igreja Assembléia de Deus em Caçapava dos Sul, onde permaneceu como Pastor Vice-Presidente do campo eclesiástico com sede em São Sepé, até o ano de 1987.

HOMENAGEM
No ano de 1997, passou a receber a pensão de Expedicionário de Guerra com os proventos de oficial do Exército Brasileiro, como 2º Tenente. Em 4 de dezembro de 2008, por iniciativa do então vereador Acidemar Henriques, foi homenageado na Câmara de Vereadores, recebendo diploma e placa pelo seu “pioneirismo e mais de 50 anos de relevantes serviços prestados à comunidade evangélica propagando o evangelho e direcionando suas mensagens com base nos ensinamento Divino, constituindo-se em exemplo a ser seguido pelas gerações futuras”.

O Pastor Alceu sempre foi honrado e recebeu atenção como um pai pelo pastor Izar de Andrade, pastor Presidente da IEAD de Caçapava do Sul, a quem registramos a nossa gratidão e reconhecimento. Sua partida para a glória ocorreu aos 20 de setembro de 2009, quando faleceu no hospital de Caridade de Santa Maria aos 92 anos, e foi sepultado no Cemitério Municipal de nossa cidade. Mas, mesmo depois da sua morte, continua a testificar de Cristo; eis que na lápide que está em seu túmulo, lê-se uma das suas passagens bíblicas preferidas, escrita no evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, em João capítulo 5, versículo 24, que diz: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.”

Contou-nos um pintor, que em um dia desses, pintava o túmulo do Pastor Alceu, e em frente parou uma pessoa, a qual olhando para a sua foto na lápide, disse: “Esse homem se converteu e ficou louco”. Mas, em resposta imediata, disse-lhe o pintor: “se todas as pessoas tomassem a mesma atitude que esse homem tomou, se convertendo ao evangelho, o mundo seria outro, sem guerras, sem desamor, sem violência, sem desrespeito, sem imoralidade,…” Fatos como esse estão de acordo com as Sagradas Escrituras, pois a Bíblia em 1ª Coríntios, capítulo 1, versículo 18, diz: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós que somos salvos, é o poder de Deus”.

Em seu centenário de nascimento, não poderíamos deixar de registrar, primeiramente a nossa gratidão a Deus, pai de todo aquele que crê em Jesus Cristo, seu filho e nosso Salvador, por ter permitido que uma pessoa como o nosso pai, contribuísse para que viéssemos a esse mundo e nos servisse de exemplo, como filho, irmão, esposo, pai, avô, bisavô, soldado, pastor e cristão. Queremos honrar a sua memória por tudo o que representa para nós. Cada conquista nos faz lembrar sua pessoa e seu exemplo.

Ensinou-nos a ser trabalhadores e honestos, a valorizar o nosso maior patrimônio nesta terra, a família; a amar a Pátria, o chão onde nascemos e a Deus. São tantas lembranças, mas o espaço não permite descrevê-las todas, mas jamais se apagarão de nossas memórias. Seria maravilhoso se ainda estivesse em nosso meio, para que pudéssemos mostrar o quanto valeu a pena a sua vida, compartilhar conquistas, enfim, dividir a nossa alegria.

Sempre vamos amá-lo, mas não seria justo que estivesse conosco, sem poder fazer o que mais gostava: pregar a palavra de Deus, cuidar da terra, dos animais, e alegrar-se com a família e os seus. É nítido em nossa lembrança o seu comprometimento com a causa santa de nosso Senhor Jesus Cristo.

Quando faltava alguma coisa na igreja, não tinha dificuldade em se desfazer de um bem particular seu para que a obra de Deus não sofresse solução de continuidade. Justa a sua partida, para tomar posse de tudo em que acreditava; o seu corpo físico adoeceu, mas o Alceu em espírito e em verdade, como nova criatura em Cristo, nascido de novo, viveu o significado do seu nome, buscando em Deus, sua fortaleza, o seu fortalecimento, e, sem nunca se acovardar ou ser derrotado, como o Apóstolo Paulo, “combateu o bom combate, completou a carreira e guardou a fé”.

Finalizando, dedicamos pelo seu centenário, o seguinte memorial:

“UM DIA RESSUSCITARAS PARA A VIDA ETERNA, COMO SÁBIO RESPLANDECERÁS COMO O RESPLENDOR DO FIRMAMENTO, PORQUE A MUITOS ENSINASTE A JUSTIÇA; REFULGIRÁS COMO AS ESTRELAS; SEMPRE E ETERNAMENTE” Daniel 12:2-3

Sempre gratos a Deus, dos teus amados; Esposa, filhos, genros, noras, netos e bisnetos …

Caçapava do Sul-RS, 31 de agosto de 2017

A pedido da Família

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