Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com licença do Patrão Celestial. Vou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências, porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu, a força e a coragem para o entrevero do dia que passa (cf. Dom Luis Felipe de Nadal).

Durante a Revolução Farroupilha o termo “gaúcho” passou a ser considerado aos homens dignos, bravos, patriotas, destemidos, ligados as lidas do campo e do gado. Muitos autores afirmam que a origem da palavra “gaúcho” provém do guarani e significa “homem que canta triste”. O gaúcho foi uma figura masculina que em meados do século dezenove já era mito. Um ser indomável que vivia solitário e desprendido de qualquer conforto.

Grande parte da ideologia do gaúcho encontra-se hoje preservada pelos CTG’s, que surgiram no final da década de 40. Através de suas atividades, reproduzem com orgulho os hábitos do homem do campo, que colonizou e fez crescer o Estado do Rio Grande do Sul, mantendo sempre acesa a chama da história. Todo o povo gaúcho reverencia os seus ancestrais, canta seu apego à terra e seu grande amor pela liberdade.

O folclore do Rio Grande do Sul, dignifica a magnitude da alma do povo gaúcho, lendário na história e amante fiel do seu bravo companheiro: o cavalo. Não se concebe um gaúcho sem seu cavalo. Foi através de seus tropéis e cavalgadas que se completou a integração da região rio-grandense no século XIX. No campo vislumbrava-se este herói alado com seu pala esvoaçante ao sabor do vento minuano.

O poeta percorre as linhas do pensamento e lança sobre nossa imaginação a figura distinta: “Gaúcho, forte e ágil, sua arma é o laço, que atado a cincha do lombilho, o braço campeiro, boleia e arremessa com vigor o seu potente laço. Simples e ingênuo, desfaz as sugestões de desprezo, porque a liberdade é a mais alta afirmativa da natureza humana”.

Especialmente aqui em Caçapava do Sul, como em outras regiões do estado do Rio Grande do Sul, há um forte sentimento pelas tradições gaúchas. Idosos, casais, jovens, crianças estão participando das rondas nos diversos CTG’s. Que a primeira Prenda do Céu, Maria Santíssima, nos proteja com seu manto sagrado.


Pe. Rudinei Lasch
Paróquia Nossa Senhora da Assunção