Em Santa Catarina, não dizem, como nós gaúchos, que um animal deu cria, pariu, teve filhotes, deu à luz ou coisa assim. Eles dizem que tal bicho criou. E foi isso que aconteceu com a gata lá de casa, aquela que lhes falei noutra croniqueta que havia ganhado durante a campanha eleitoral de 2020. Aliás, foi uma das poucas coisas boas que encontrei em nossa cidade pandêmica no ano passado. Muita bandeira colorida dos partidos políticos pelas esquinas asfaltadas, com semáforos, mais buraco do que ruas pelas vilas e estradas do interior, muito lixo espalhado pelos locais públicos e muiiiitaaaa promessa de melhoria e de melhor governar em futuro risonho. Ou risível? Ah, e muita cesta básica sendo entregue de porta em porta para adular os eleitores potenciais da época.

A minha gatinha cinzenta fez a parte dela, dando a primeira cria: quatro gatinhos – três brancos e um brasino requeimado – que ainda não abriram os olhos, e nem pude definir se machos ou fêmeas. Estão com uma semana de vida, e o pai ainda não apareceu para tratar da alimentação dos rebentos, nem se fala da pensão alimentícia a que têm direito perante a lei das pessoas. Até porque essa realidade é rotineira em Caçapava, onde um grande número de “gatas” precisa caçar em dobro para poder criar seus filhotes sozinhas. Fruto das aventuras impensadas do seu instinto animal em tempo de cio.

Menos mal que recém estão abrindo os olhos e não sabem identificar ainda as coisas erradas que existem em nossa Segunda Capital Farroupilha. Assim que ficarem maiores, gordinhos com o leite da mãe bem alimentada, já vou começar a ensiná-los acerca dos seus direitos e das dificuldades que enfrentarão para sobreviver no mundo cascudo de hoje. Já me preocupa o filho de cor diferente, que pode vir a ser a ovelha negra da família recém se estruturando, e a falta de caças nestes tempos de expertise em que até os ratos usam colete à prova de balas. Que dirá ao alcance de unha de gato.

Vou abrir em breve uma relação para receber propostas de adoção para esses bichanos, já que são fruto de uma ação política que vem a ser o meio pelo qual todas as pessoas resolvem ou encaminham as suas demandas públicas e oportunidade para chorar as suas mazelas insolúveis por omissão. Quem sabe eles nasceram vacinados contra “boas intensões” e encaram a vida com segurança para não confiar em ninguém com mais de trinta anos ou ainda não vacinado.

Caso alguma pessoa de bom coração queira adotar algum deles para levar para fora, não garanto que aceitem, já que estão acostumados com ração de supermercado, forno de micro-ondas e aquecedores a óleo, e talvez não se adaptem com facilidade ao ambiente dos galpões de campanha e a borralhos de fogão de chapa. Restos de comida caseira, só se tiver carne no meio. Já se foi o tempo em que os gatos comiam qualquer porcaria para agradar a seus donos. Hoje, eles é que elaboram os seus próprios cardápios não vegetarianos e proteinados.

Ainda não descobri se vender filhote de gato dá dinheiro… Garnizé, eu sei que não dá kkkkkkk