Houve tempo, e tempo demais, em que o campo deixou de ser o habitat do gaúcho. Os filhos dos fazendeiros – e até dos agregados e minifundiários — eram enviados a escolas da cidade, gostavam da vida cômoda, continuavam os estudos e nunca mais voltavam à querência. E ia escasseando a mão de obra para o trabalho da zona rural.

Felizmente, este tempo está passando, e a volta ao campo tem trazido benefícios à nossa economia e valorização às nossas tradições, abrindo outros caminhos com as ferramentas da ciência e da tecnologia. Agora, o trabalho deixou de ser rudimentar para tornar-se devidamente planejado de acordo com institutos de pesquisa e experimentação – como a Embrapa – e universidades, para tornar-se autossustentável e mais eficaz. E os jovens retornam ao campo depois de formados em Agronomia, Veterinária, Zootecnia, Logística, Administração de Empresas e outras especialidades que lhes dão as orientações para o mais acertado manejo dos assuntos agrários.

Pois os resultados não se fizeram esperar. Nossa economia deu um passo de gigante, e o PIB do Estado excedeu ao nacional. O progresso da agricultura, da pecuária e de seus produtos industrializados atingiu patamares nunca imaginados. Tudo sob a orientação pregada nas universidades, como a autossustentabilidade, que é o cuidado com o solo, o reflorestamento, o trato com os animais e também com os resíduos, que são reaproveitados devidamente. Os antigos aviários, onde pobrezinhas das aves não viviam sua vida plena, e agora já são criadas ao ar livre ou em encerras espaçosas; o gado, que tem normas para seu transporte e abate, minorando seus sofrimentos; e a pastagem de boa qualidade em campo aberto ou abrigos são medidas que parecem inspiradas por São Francisco de Assis, o mais humano possível com o trato dessas criaturas de Deus.

Agora, até as cascas de arroz são utilizadas como combustível, na construção civil, e suas cinzas na energia e fabricação de cerâmicas e até como adubo orgânico.

E aqui e ali, na metade Sul do Estado – que era só pecuária ou grandes lavouras de soja, arroz, trigo – tem surgido outras culturas cuja fama ultrapassa as fronteiras, como os olivais de Caçapava do Sul os parreirais em contínuo desenvolvimento; e até a vinicultura, que premiou Dom Pedrito com vinho de alta qualidade. A apicultura tem contínuos avanços no campo, e até os viveiros de peixes e de outras espécies têm recebido incentivos na Região Sul e em nossos rincões.

Tradicionalismo gaúcho em alta, institucionalizando eventos como a Califórnia da Canção, de Uruguaiana, numa demonstração do orgulho pelas tradições de nossa gente, são homologados no Palácio Piratini em sessão festiva. Por isso tudo, eu vislumbro uma luz no fim do túnel.

“É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor… Onde tudo que se planta cresce, e o que mais floresce é o amor.”