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“¡Ah, y sin embargo te maté!”

“¡Ah, y sin embargo te maté!”

Ele sabia o quanto precisava dela. É isso que o pintor Juan Pablo Castel está falando quando profere, na página 60 de El túnel, de Ernesto Sábato, a frase que utilizo como título. Ele sabia o quanto precisava dela e, ainda assim, a matou. Quantos homens dizem coisas como as que ele diz nessa história para e sobre mulheres e, depois, acabam as matando… A arte retrata a vida.

El túnel é narrado em primeira pessoa por Juan Pablo, quem está preso por ter assassinado María Iribarne e irá contar a história desse crime. Ele começa a narrativa pelo dia em que a conheceu e traça uma ordem cronológica para explicar o que se passou entre eles e culminou no assassinato. Logo no início, na página 11, o pintor diz que se propõe a fazer esse relato porque tem “a frágil esperança de que alguma pessoa chegue a entender-me. Ainda que seja uma única pessoa” (tradução minha). Bem, acho que ele pode ficar feliz. Devo confessar que, na primeira vez que li a obra, no início de 2015, cheguei a entendê-lo.

Mas como? O que leva uma pessoa a entender um assassino? Que fique claro que não se tratava de achar o que ele fez certo. Muito longe disso. Mas de compreender os motivos que o levaram a cometer tal ato. Pela forma como Sábato constrói a narrativa, e isso passa muito por ser em primeira pessoa, é possível se deixar convencer de que Castel é uma vítima do monstro María Iribarne. Então, não duvide que, ainda hoje, haja quem o entenda.

Relendo a obra agora, já mais velha e com muito mais noção do que se passa no mundo, vejo Juan Pablo como alguém perturbado. Não consigo vê-lo como um homem apaixonado – como ele tenta se vender –, mas sim como um homem obcecado por aquela mulher.

Agora, olho para María e não entendo como ela aceitou se envolver com ele, o que passava por sua cabeça, como não percebeu que aquilo não poderia acabar bem. Todos os sinais estavam ali! Ela não é o monstro que pareceu na primeira leitura, mas também não é nenhuma criatura inocente… Ou, mais uma vez, isso é apenas reflexo de ser Juan Pablo quem conta a história?

 

Referência:

SÁBATO, Ernesto. El túnel. 1ed. Buenos Aires: Seix Barral, 2006. 144p.

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