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Aos pedaços

Aos pedaços

Não é difícil que o escritor, às vezes, sinta vontade de escrever e não encontre um tema adequado para desenvolver. Fique sem assunto, sentado diante do teclado do computador, se coçando para inventar uma estória, e a ideia não vem. Fica travado. Por vezes, escreve um pedaço de crônica, um início de conversa, um começo de causo sem conclusão que desperte interesse, riso ou polêmica, que é para poder aguçar a curiosidade daqueles que sempre leem seus hieróglifos…

Encontrei, noutro dia desses, algumas crônicas começadas, alguns poemas pelo meio e algumas intensões não realizadas. Vou mostrar alguns para vocês:

 

  1. Saber perder

Isso é pura conversa fiada. Conversa mole, papo para boi dormir, autoenrolação. Ninguém entra numa disputa para perder, só para fazer figuração e, se não ganhar, tem que ficar “puto” da vida pelo fracasso advindo. A não ser que a pessoa seja masoquista, daquelas que gostam de apanhar para poder sofrer calada. E esta versão também não me convence. Se o sujeito gosta de apanhar e continua apanhando, sem reclamar, é porque alguma vantagem tá levando, direta ou indiretamente. Às vezes levar uma surra pode ser um bom investimento para o futuro, afinal, eu sempre soube que um dia é da caça e o outro é ou será do caçador.

 

  1. Quem luta sempre alcança

Outro papo furado. Tem muita gente boa que morre sem ter alcançado os seus grandes objetivos traçados para a vida. Quantas pessoas decentes morreram pobres quando, a vida toda, pensavam que um dia enriqueceriam?  Se o camarada não nasceu em berço dourado, não arrumou uma boa profissão para ganhar dinheiro, e não conseguiu uma ricaça para casar, então tá ferrado. A última salvação seria uma loteria, mas até isso hoje em dia tá corrompido, não dá para acreditar. O cara fica extasiado ali no balcão da lotérica, acreditando que um dia vai ganhar uma bolada, e termina seu tempo terrestre sem nunca ter auferido prêmio nenhum. E olhe que não foi por falta de tentativas. Talvez se tivesse poupado o dinheiro das apostas e do cigarro de uma vida, teria ficado milionário.

 

  1. Um dia ela melhora

Tem o indivíduo que casou com uma mulher chata, daquelas ciumentas, que mexe nas mensagens do seu celular, mas o dela tem uma senha indecifrável para entrar. Reclama quando ele fica assistindo aos jogos da série B só para conferir se o Juventude subiria em 2020 ou se o Brasil de Pelotas vai sair da lanterna neste ano. Obriga a levar uma criança junto quando tem o churrasquinho com o pessoal da firma ou do escritório. Mas ela vai ao dentista e ao cabeleireiro sozinha, em horário de trabalho do infeliz que paga as suas contas e, normalmente nem avisa. Isso acontece com marido sem coragem para um enfrentamento. Vai morrer esperando que ela melhore.

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