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As distâncias que nos separam

As distâncias que nos separam

Já estamos cansados de saber que a vida no país não tem o mesmo modo de ser entre as pessoas de um polo e de outro da hierarquia social. Os do topo, com a maior fatia do bolo, de privilégios, poder e grau de conforto, gozam de todos os recursos para a saúde, podendo adquirir remédios de alto custo. Enquanto isso, os pobres sofrem nas filas dos hospitais, e nem sempre são atendidos. Entretanto, os óbitos não poupam nem um, nem outro.

Mas a felicidade é algo singular, que não depende de ter, mas de ser. As crianças da periferia se criam na rua, brincando com bolas e cachorros. E tornam imunizadas contra a Covid-19. Entretanto, quando ficam adolescentes, querem ampliar seus espaços e, muitas vezes, por falta de lares estáveis, acabam tomando o rumo errado. Querem ser heróis como os traficantes da quadra e, não havendo uma motivação positiva, esporte, música, artes, coitadinhos, acabam vítimas de facções rivais ou nas perseguições policiais.

Felizmente, as Olimpíadas de Tóquio, com nossas jovens estrelas, são belos exemplos de superação, esforço e ideais de vida saudável. E vêm despertando novas vocações entre a criançada e os jovens das classes mais humildes.

Ouvi certo dia as queixas de uma doméstica que dificilmente arruma emprego. Não tem boa aparência – acha que é o motivo – mas é procurada pelas ex-patroas só para trabalhos pesados que as outras rejeitam. Sua autoestima está lá em baixo, e precisa de muito estímulo para subir.

Fico pensando nesses jovens traficantes que arriscam a vida todo o dia para levar drogas aos Patricinhos da vida em suas festas de embalo. Arriscam-se, perdem o sentido da vida para que outros vivam os momentos artificiais de gozo e de prazeres.

Por que a guerra anti-tráfico nunca termina, fecha uma boca de fumo, abre outra? Porque os clientes não cessam de aumentar. Eles têm tudo que o dinheiro e o poder dos pais podem comprar, mas por que não empregam seu tempo em coisas mais úteis para si e para os outros? Onde começa sua culpa, no lar de pais desatentos? Quantos universitários se perdem assim nesses rumos tortuosos. Poderiam formar-se e levar uma vida digna para seu próprio bem e a clientela que fosse atender.

Se eu fosse deputada, juíza ou algo desse quilate, faria projetos, legislando ou penalizando, respectivamente, esses infratores, que são os principais responsáveis pelo vício que leva à dependência e à morte.

Enquanto isso, a classe média que paga impostos sofre perdas salariais, anda na “linha”, se compadece dos abandonados, viciados sem remédio ou desalentados moradores de rua, e dedicam-se a acolhê-los em albergues, doam comida e agasalho, e fazem a gente acreditar que o bem está vencendo. Precisando de nosso apoio e colaboração.

O albergue municipal, como o de outras cidades, é um exemplo do que se pode fazer em benefício dos deserdados da sorte. Sejam eles inocentes ou culpados de suas próprias precariedades.

Os Evangelhos nos ensinam que a virtude não consegue fazer guarida nos famintos. Primeiro deve acontecer o alimento do corpo, para que o espírito ganhe as alturas.

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