Uma vez alguém me disse que não conseguia ler nada de Jane Austen, mas não sabia o motivo, se era a linguagem empregada ou o quê. Nessa época, eu ainda não havia lido nada desta autora. Meu primeiro contato com suas obras foi através das adaptações cinematográficas. Dos filmes, meu preferido é “Emma” (1996). Assim, mais ou menos na época em que teve uma novela baseada nos romances de Jane Austen e o Brasil “a descobriu”, várias edições de suas obras foram lançadas e eu comprei Emma.

Há muito tempo, o livro estava guardado na estante, é uma obra um pouco longa e que demandaria mais tempo para a leitura. Mas, nos últimos dias, ele me chamava. Entre uma tarefa e outra, utilizando cada intervalo que tinha para avançar nem que fosse um pouquinho com a leitura, nas últimas duas semanas, venci suas 536 páginas.

Você pode estar pensando algo como “por que ler o livro se já conhecia a história?” ou “deve ter sido chato ler já sabendo o que ia acontecer”. Bem, não há como colocar tudo que se passa num livro em um filme. Há questões como o fato de serem mídias diferentes e o tempo de duração do filme – que não pode ser muito longo. Então, a leitura acaba sendo uma nova experiência. E, ao fim, cheguei à conclusão de que preciso rever o filme para saber se há diferenças entre as tramas ou se eu simplesmente não lembrava direito.

Algo que me atrai nesses romances é a possibilidade de conhecermos épocas anteriores, os costumes, como se comportava a sociedade, etc. Por exemplo, Emma foi publicado pela primeira vez em 1815. Quando o Sr. Martin pede Harriet em casamento e ela pede conselhos a Emma sobre se aceitar ou não, Emma lhe diz que não, pois, casando-se com ele, Harriet seria de uma classe inferior a dela, o que impossibilitaria que seguissem sendo amigas.

Por fim, quero destacar dois personagens de Emma: o Sr. Woodhouse e a Srta. Bates. Depois de me irritarem no início, eles me divertiram muito. O Sr. Woodhouse tem problemas de saúde e acredita que o que faz mal a ele, faz mal a todos. E que mingau é um excelente alimento, que todos deveriam consumir. Ele também tem grande aversão a casamentos, o que o leva a chamar as noivas de, por exemplo, “pobre Srta. Taylor” ou “pobre Isabella”.

Já a Srta. Bates é uma tagarela. Ela me fez lembrar a Six, personagem de uma série de quando eu era criança chamada “Blossom”. Tenho certeza que nenhuma das duas – nem a Srta. Bates, nem a Six – respiravam enquanto falavam. A Srta. Bates, em vários momentos, me deixou tonta, sem saber o que estava acontecendo, pois, em falas que muitas vezes ocupavam quase toda a página, mudava de um assunto a outro sem prévio aviso. Como diria o Sr. Woodhouse, “pobre Isabela” (mas, nesse caso, eu). Então, se você for se aventurar com Emma, esteja pareparad@!

 

Referência: AUSTEN, Jane. Emma. Tradução e notas: Adriana Sales Zardini. São Paulo: Martin Claret, 2018. 536p.