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Criança sofre…

Criança sofre…

Dois amiguinhos, moradores da mesma rua, se reencontram depois de vários dias isolados.

– Oi, Carlinhos, existe coisa mais triste do que não ter com quem conversar? – E o outro menino concordou. – Vamos brincar lá em casa?

Então aparece um terceiro piá da mesma idade e vizinhança. Mas esse é o capeta da quadra. Judia dos cachorrinhos, dá nos guris menores, que fogem à sua passagem. O danadinho também queria ir. Mas os outros disseram que não.

– Por que, ele é melhor que eu? – perguntou. E os dois responderam que era porque ele era mau. Mas ele insistiu, e a mãe do que convidava teve dó e concordou; assim, os três gozaram de uma bela tarde de brincadeiras, sem nenhuma briga. Estavam saudosos!

Fico pensando nessas crianças confinadas em suas casas, sem aulas presenciais, nem festas de aniversário, ou Páscoa para comemorar, a não ser virtualmente. Quando veio o decreto do Governador, permitindo a reabertura das escolas de Educação Infantil e Primeiras Séries, elas vibraram. Minha netinha preparou os estojos de lápis e mais apetrechos, os cadernos e livros, e até o uniforme, cantando de alegria. A pobrezinha murchou com a nova notícia, que chegou de última hora, de que as aulas continuariam suspensas.

A gente não sabe o que é melhor ou pior: permitir que as crianças saiam para a escola a fim de recuperar o que já perderam no ensino, na educação, no ajustamento social, ou que fiquem em casa ou em casas alheias, sabe-se lá se com pessoas confiáveis ou não, para livrar-se do vírus – que também pode estar onde elas ficarem, é um dilema. Tenho até pena de governadores e prefeitos, a quem cabe decidir.

O assunto é tão controverso que decretos são sancionados, liminares suspendem seus efeitos, cidades aproveitam a cogestão para fazer o que acham melhor, os pais se dividem em prós e contras, é um quebra-cabeças. E a infância, que deveria ser a idade mais feliz da vida, resguardada de todos os males e com direito ao seu mundo perfeito, está sendo jogada na realidade cruel de nossos dias. Seus desenhos, agora, em vez de bruxas ou monstros, mostram o vírus com todos os seus tentáculos, e a seringa com a vacina que vai derrotá-lo. Já aprenderam a usar o álcool gel e as máscaras, e dão lições de prevenção à doença em seus áudios, vídeos e lives. Mas a maioria nem esse passatempo podem ter. Nem a merenda escolar e o ambiente acolhedor que as escolas podem oferecer.

Pandemia e miséria, pobres crianças, nem o Chapolin poderá ajudá-las. Só mesmo Deus e as pessoas de bom coração.

Que o mês de maio nos traga melhores notícias.

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