Em recente data passada, comemorou-se o dia dos avós. Li no Correio do Povo uma escrita interessante sobre a data: “Conhecidos como pai ou mãe com açúcar, os avós de hoje desempenham outras tantas funções que vão muito além de mimar os netos. Com a rotina corrida de seus filhos no mundo moderno, os pais dos pais já aposentados assumiram o papel de cuidadores, educadores… Além disso, exercem essa tarefa regada com muito amor”.

Pois lhes digo que é verdade, e até aquela estória de que avô só serve para estragar a educação dos netos precisa ser repensada. Todo mundo trabalha, muita gente adulta estuda para aperfeiçoar conhecimentos na era do mundo digital e consumista em que vivemos, e acaba sobrando, muitas vezes, aos mais vividos essas tarefas domésticas de cuidar dos netos. Qual avô desocupado se negaria a ajudar um filho de seu filho a troco de carinho e consideração que recebe do inocente? Sim, porque o pagamento a receber é apenas esse.

Na verdade, são os avós que terminam aprendendo coisas novas no manuseio ou operação dessas maquininhas modernosas que as crianças de hoje, nossos netos, parecem que já nascem sabendo. Já passamos da época de ficar contando histórias da carochinha para os pequenos, porque eles não acreditam mais em fadas, fantasmas e assombrações, e também não podem largar nem cinco minutos do celular para ficar escutando lorotas da parte de pessoas tão velhas como nós, do tempo do epa.

Tem coisas que não posso avaliar, porque não tive o prazer de conhecer nenhum dos meus quatro avós. Nunca recebi carinho de avô ou avó, e essas lembranças ternas de antigamente não fazem parte do meu currículo infantil. Aliás, cresci sozinho, perambulando, desde os nove anos, por algumas pensões baratas que existiam em Caçapava nos antigamente. Talvez seja por isso que busque ternura na veia poética que nasceu comigo e me serve de esconderijo pra os desassossegos da existência que se alonga.

Por enquanto, tenho dois netos, e vejo neles um prolongamento da minha identidade, quando sei que o DNA do meu sangue integra o cerne daquelas criaturinhas de quem sempre espero pelo menos atenção e ternura. E recebo, e fico faceiro, e conto para os amigos que minha neta Manuela sempre me procura para me dar um abraço carinhoso.

Sei de muitos avós que ficaram privados do abraço de seus netos por causa da pandemia. E ficaram saudosos, entristecidos por essa ausência da vida deles por tanto tempo, enquanto crescem e se transformam pela vida, naturalmente. Acredito que agora, em fins de 2021, todos vacinados, poderemos nos encontrar novamente, acreditando que o corona, que já tem seus filhos nas novas cepas anunciadas, nunca alcance o tempo de gerar também as cepas netas. Aliás, seriam netas pra lá de indesejadas pelo mal que poderiam transportar. E viva a VACINA, comprada e distribuída pelo Governo Federal.