Hoje, a Gazeta completa 22 anos. Eu tinha uns nove ou dez na primeira vez que visitei o jornal. Na adolescência, fui estagiária, e ajudava todo mundo, da redação ao comercial, no que precisassem. Depois, nas férias de verão de 2009, já na faculdade, trabalhei na redação. Nos anos seguintes, estive mais afastada, mas longe mesmo, só nos últimos semestres da graduação e durante o Mestrado.

Quando marcamos a data da defesa da minha Dissertação, foi para uma sexta-feira – o dia da Gazeta –, em setembro do ano passado. Eu avisei o Gasparino, o diretor do jornal, e ele me respondeu: “então, na segunda, tu te habilita”. Só quem convive com ele há tanto tempo pra entender que isso significava que era pra começar a trabalhar na segunda… Recomeçar, no caso.

Recomecei naquela segunda-feira fazendo as revisões. Em janeiro, voltei pra redação, e aqui estou. Isso me proporcionou muita coisa legal, conheci muita gente e fiz matérias que marcaram. Uma delas foi sobre o Mês da Conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Aprendi muita coisa nas duas semanas em que pesquisei e conversei com pessoas sobre o tema. Sem isso, certamente teria sido outra a forma como recebi Para sempre vou te amar, de Catherine Ryan Hyde.

Angie, a mãe e a irmã, Sophie – que tem um grave TEA –, estão passando por dificuldades, morando de favor na casa de uma tia. Tudo se complicou após o assassinato do pai de Angie, e piorou quando o pai de Sophie percebeu que as coisas não seriam fáceis e foi embora.

Quando algo incomoda Sophie, ela grita. Por horas. Até perder a voz, ou se cansar e dormir. E as pessoas ao redor não compreendem a situação, não têm paciência com ela, e se comportam como se Sophie fosse um incômodo, não uma pessoa. Falta empatia!

Angie e a mãe se desdobram para cuidar de Sophie (mais Angie, já que a mãe é bem doida e não muito responsável). Toda vez que uma crise se aproxima, elas ficam sem saber como agir. É a isso que o título da coluna faz referência, porque era o que eu ficava pensando sempre que Sophie começava a gritar. Era uma sensação desesperadora!

Inexplicavelmente, Sophie cria uma forte ligação com Rigby, a cachorra de Paul Inverness, um vizinho da tia. Inexplicavelmente porque Sophie odiava cachorros. Mas Rigby consegue acalmá-la, e Sophie passa a imitá-la. Porém, tudo que é bom dura pouco: Paul se aposenta e se muda para longe, obviamente levando Rigby com ele. Como se não bastasse tudo isso, Angie descobre que a mãe mentiu sobre a forma como o pai foi morto. Então, ela ainda terá um mistério a desvendar: como ele realmente morreu.

A narrativa de Para sempre vou te amar é daquelas que te prendem e tu não consegue mais largar o livro até acabar, porque simplesmente PRECISA saber o que acontece. Mas, ao mesmo tempo, não quer chegar ao final, porque sabe que, nesse momento, sentirá que falta uma coisa. São 400 páginas, mas li em apenas três dias. E poderia ter sido em menos tempo se, logo no primeiro capítulo, eu não tivesse precisado parar pra respirar. A forma como as pessoas reagem a Sophie é de doer na alma. Tive certeza que, naquele ritmo, não terminaria o livro bem. Felizmente, as coisas melhoraram. Um pouco.

 

Referência: HYDE, Catherine Ryan. Para sempre vou te amar. Tradução: Débora Isidoro. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2021. 400p.

 

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