Imagine qual seria a sua reação se, já adulto, descobrisse que seu colega de escola, com quem conviveu tantos anos, se divertiu e compartilhou muito momentos, é um serial killer. E ainda por cima um cujos crimes envolvem estupro, necrofilia e canibalismo. Derf Backderf ficou chocado. Jeff Dahmer, quem assassinou 17 pessoas entre 1978 e 1991, fora seu colega na Revere High School.

Há muitos filmes que contam sobre esses crimes (em uma rápida busca no Google, encontrei cinco, além de outros vídeos menores), seja falando especificamente sobre eles ou junto a outras histórias. Atualmente, uma série sobre os assassinatos e o julgamento de Dahmer está sendo produzida por Ryan Murphy (de “American Horror Story” e “American Crime Story”) para a Netflix. Mas a abordagem de Backderf é outra. Na graphic novel Meu amigo Dahmer, ele vai falar sobre o jovem Jeff, seu comportamento na adolescência, os problemas que enfrentou e o descaso dos adultos (algo que o autor só percebeu com o distanciamento temporal).

Tudo é baseado em suas lembranças, nas de seus amigos e colegas e no que o próprio Dahmer contou em depoimento ao FBI e em entrevista. Além disso, ele cita também fontes jornalísticas que fizeram a cobertura da prisão de Dahmer em 1991 e um livro publicado pelo pai de Jeff, Lionel: A father’s story, que foi adaptado para o cinema como “Raising Jeffrey Dahmer”.

Pode parecer estranho pensar a história de um serial killer real sendo contada em uma graphic novel, mas Derf Backderf é cartunista, logo, faz todo o sentido que tenha optado por apresentar Meu amigo Dahmer dessa forma. E, para mim, ajuda a que nós leitores possamos ver como ele via Jeff na juventude a partir do momento em que pode se valer também de imagens além de palavras.

 

Referência: BACKDERF, Derf. Meu amigo Dahmer. Tradução de Érico Assis. Rio de Janeiro: Dakside Books, 2017. 288p.