Após o grande susto com a segunda onda da Covid-19, quando uma grande parte da população vislumbrava um horizonte sombrio, e parte da mídia previa um caos, aos poucos, os números já divulgados dizem que o pior já passou. Apesar de o vírus continuar atuante, a economia começa a dar sinais de que o ano de 2021 será positivo. A segunda onda afetou menos as atividades econômicas do que o previsto. Continuam os cuidados com a saúde, mas fica claro que é possível também produzir. O último Boletim Focus do Banco Central, que é uma prévia do PIB, alterou a projeção para o desempenho da economia no ano, passando de 3,21% para 3,45%. Para 2022, o mercado financeiro projeta um crescimento de 2,38%. Em relação à inflação, os números também são de alta. Fica a previsão de que, no ano, o IPCA fique em 5,15%. Cabe ressaltar que há um mês estava em 4,92%. É bom destacar que hoje, a inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 6,76%, o maior patamar desde 2016. Para conter a escalada de alta da inflação, o Banco Central elevou a taxa Selic de 2,75% para 3,5% ao ano. Na reunião do Copom, ficou clara a intenção de já no próximo mês promover novos aumentos. Está previsto que, no final do ano, a taxa Selic chegue em 5,5%. E deve continuar em alta, pois a projeção para 2022 é de 6,5%.

 

Economia surpreende

A segunda onda da Covid-19 afetou menos a atividade econômica do que o previsto inicialmente, provocando uma revisão para cima nos números do PIB. Segundo a Projeções Broadcast, que ouviu 35 instituições, o crescimento médio para a economia brasileira em 2021 será de 3,8%. Segundo os economistas, o isolamento social para conter o vírus foi menos rígido do que em 2020, e também a população cumpriu pouco as regras e foi trabalhar. A grande maioria dos analistas afasta a recessão, que é dois trimestres seguidos de números negativos. Era esperado que, no início do ano, sem o auxilio emergencial, a economia voltasse a afetar fortemente a demanda interna, mas os registros demonstram um cenário mais favorável. Dentre as previsões para a economia para o ano de 2021, na pesquisa realizada, os números menores ficaram com a Cofece (2,8%) e com a Necton (3%). As melhores projeções foram da XP Assent (4,7%) e da Goldman Sachs (4,5%). Com base nos números apresentados, é possível afirmar que, hoje, existe uma aposta mais positiva em relação ao desempenho da economia brasileira para este ano.

 

Primeiro trimestre positivo

Segundo o Índice de Atividade do Banco Central, o IBC-BR, que é uma prévia do PIB, o primeiro trimestre acumulou uma alta de 2,27% em comparação com igual período de 2020. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, o PIB caiu 3,37%. Em relação ao último trimestre de 2020, o resultado é positivo em 2,3%. Quando a comparação é do mês de março de 2021 com março de 2020, a alta foi de 6,26%. O Banco Central projeta para este ano um crescimento econômico de 3,6%. As apostas continuam de que o segundo semestre trará números melhores, como já aconteceu no ano passado. Todos os números disponíveis e as previsões dos economistas indicam que 2021 deve apresentar bons resultados, o que traz a esperança de cenários otimistas para os próximos anos.

 

Desempenho desigual

Apesar dos números favoráveis, a melhora nas atividades vem acontecendo de maneira desigual. Os setores de metalurgia, indústria farmacêutica e química estão mais a frente. É o que diz a Fundação Getúlio Vargas. Por outro lado, tem setores e ramos em que as dificuldades permanecem. É o caso do comércio de tecidos, vestuário e calçados. Também o setor de serviços ainda enfrenta queda no consumo. São academias, serviços de alimentação, serviços de transportes, etc. A verdade é que, com as pessoas ficando mais em casa ou saindo pouco, estas consomem menos do que antes. Menos roupa, menos sapato. Alguns setores e ramos estão bem, e outros engatinhando. Hábitos adquiridos na pandemia deverão ficar. O “faltou e saiu para comprar” passa a ter um planejamento, buscando fazer diversas coisas num só movimento. O consumo será mais seletivo, e os alimentos serão melhores escolhidos e economizados. Esta pandemia vai trazer uma série de aprendizados que ficarão incorporados no dia a dia de todos. Algo de bom vai permanecer.

 

Pense

Só o dono da casa sabe onde ficam as goteiras.