Podemos afirmar com certeza que o Papa Francisco, ao escrever a Encíclica Fratelli Tutti, no ano de 2020, presenteou não só a Igreja, mas também o mundo. Para muitos, pode parecer utopia, mas para o Papa, para o Cristianismo e, consequentemente, para nós cristãos, seguidores de Cristo, a Fraternidade Universal é um sonho possível, a ser perseguido e implantado no meio da humanidade. Trago aos queridos leitores e leitoras algumas considerações importantes da carta Encíclica do Papa Francisco, que insiste na Fraternidade e Amizade Social

Durante décadas, pareceu que o mundo tinha aprendido com tantas guerras e fracassos e, lentamente, foi caminhando para variadas formas de integração. Por exemplo, avançou no sonho de uma Europa unida, capaz de reconhecer raízes comuns e regozijar-se com a diversidade que a habita. Lembremos a firme convicção dos pais fundadores da União Europeia, que desejavam um futuro firmado na capacidade de trabalhar juntos para a superação de divisões, e promover a paz e a comunhão entre todos os povos do continente. Ganhou força também o anseio de uma integração latino-americana, e alguns passos começaram a ser dados. Em outros países e regiões, houve tentativas de pacificação e reaproximações que foram bem-sucedidas, outras que pareciam promissoras.

Infelizmente, constata-se que a história dá sinais de regressão! Reacendem-se conflitos anacrônicos, que se consideravam superados, ressurgem nacionalismos fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos. Em vários países, certa noção de unidade do povo e da nação, penetrada por diferentes ideologias, cria novas formas de egoísmo e de perda do sentido social, mascaradas por uma suposta defesa dos interesses nacionais. Isso nos lembra que cada geração deve tornar suas as lutas e as conquistas das gerações anteriores, e levá-las a metas ainda mais altas. É o caminho. O bem, como, aliás, o amor, a justiça e a solidariedade não se alcançam de uma vez por todas; hão de ser conquistados cada dia. Não é possível contentar-se com o que já se obteve no passado, nem acomodar-se a gozá-lo, como se essa situação nos levasse a ignorar que muitos de nossos irmãos ainda sofrem situações de injustiça, que nos interpelam a todos.

Abrir-se ao mundo é uma expressão de que, hoje, se apropriaram a economia e as finanças. Refere-se exclusivamente à abertura aos interesses estrangeiros ou à liberdade dos poderes econômicos para investir sem entraves e complicações em todos os países. Os conflitos locais e o desinteresse pelo bem comum são instrumentalizados pela economia global para impor um modelo cultural único. Essa cultura unifica o mundo, mas divide as pessoas e as nações, porque a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos. Encontramo-nos mais sozinhos do que nunca neste mundo massificado, que privilegia os interesses individuais e fragiliza a dimensão comunitária da existência.

Em contrapartida, aumentam os mercados, nos quais as pessoas desempenham funções de consumidores ou de espectadores. O avanço desse globalismo favorece normalmente a identidade dos mais fortes, que protegem a si mesmos: por outro lado, o mesmo avanço procura dissolver as identidades das regiões mais frágeis e pobres, tornando-as mais vulneráveis e dependentes. Dessa forma, a política torna-se cada vez mais frágil perante os poderes econômicos transnacionais.

O que propor e fazer diante dessa realidade da globalização que não inclui todos? Uma boa sugestão é ler a carta Encíclica do Papa Francisco! A fraternidade universal continua sendo uma realidade possível! Deus criou todos os seres humanos iguais nos seus direitos, nos deveres e na dignidade, e os chamou a conviver entre si como irmãos, e a povoar a terra e espalhar sobre ela os valores do bem, da caridade e da paz!