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Literatura a serviço da inclusão

Literatura a serviço da inclusão

Junho é considerado o Mês do Orgulho LGBTQIA+. A escolha se deve a um episódio conhecido como rebelião de Stonewall, que iniciou no dia 28 de junho de 1969, em Nova Iorque. Explico: a lei que considerava crime os relacionamentos homossexuais já havia sido derrubada em algumas regiões dos Estados Unidos, mas não em Nova Iorque. Lá, havia um bar chamado Stonewall Inn, que era frequentado por esse público e descumpria várias normas. Depois de ignorar isso por muito tempo, na madrugada do dia 28, a polícia entrou no bar agredindo e prendendo funcionários e frequentadores. Enquanto eles eram levados para as viaturas, uma multidão se reuniu e atacou os policiais, começando um levante que durou cinco dias e deu inicio à luta que existe até hoje contra a perseguição aos homossexuais e pelos direitos da comunidade gay.

Por ser este o Mês do Orgulho, decidi indicar hoje um livro que promove a inclusão LGBTQIA+. Cinco pessoas de diferentes profissões e que fazem parte dessa comunidade se reuniram para reescrever contos de fadas de uma forma mais moderna, mais atual, e tendo como protagonistas personagens LGBTT (utilizo esta sigla aqui por ser a usada para descrever os protagonistas no livro). Assim nasceu Over the rainbow: um livro de contos de fadxs.

Na obra, foram recontadas as estórias de “Cinderela”, “João e Maria”, “A Bela e a Fera”, “Rapunzel” e “Branca de Neve”. Todas se passam no século XXI, mas guardam semelhanças com as obras nas quais os autores se inspiram, de forma que é possível perceber a relação entre elas. Por exemplo, em “Mais do que manteiga com mel”, versão de “Cinderela” escrita por Milly Lacombe, Catarina vive com a madrasta e suas duas filhas após a morte do pai; em “A ressurreição de Júlia” (“Branca de Neve”), de Lorelay Fox, a floresta é substituída pela selva de pedra formada pelos prédios de uma grande cidade.

O que pude perceber após a leitura desses contos foi que há uma grande preocupação por parte dos autores em retratar a realidade, em mostrar situações que o público LGBTQIA+ passa em seu dia a dia, mas sem deixar de lado uma característica que, talvez, seja a mais marcante dos contos de fadas: o final feliz. Então, acredito ser importante deixar claro aos leitores desta coluna que nem sempre as estórias reais transcorrem e, principalmente, terminam daquela forma. Se assim fosse, a luta já haveria acabado, não haveria Mês do Orgulho e nós não estaríamos aqui. Ter essa consciência me causou certo estranhamento em algumas partes dos contos que pareciam perfeitas demais até para a ficção.

A discussão sobre o público dos contos de fadas, eu deixo para outra oportunidade. Aqui, me limito a falar que Over the rainbow não é exatamente destinado às crianças , mas sim aos adolescentes.

 

Referência: BRESSANIM, Eduardo et. al. Over the rainbow: um livro de contos de fadxs. 2ed. São Paulo: Planeta, 2016. 224p.

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