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Maio se despede

Maio se despede

No ano passado, em maio, a gente ficava pensando que, a estas alturas do ano 2021, já estaríamos livres da pandemia, e a vida voltaria ao ritmo normal. Puro engano. A Covid-19 está mais forte e disseminada ainda, e não dá esperanças de acabar.

As vacinas chegaram, mas em doses homeopáticas; as filas estenderam-se a perder de vista, e muita gente ficou sem a segunda dose, continuando na espera. Uma sucessão de Ministros da Saúde não conseguiu estabelecer um Plano de Prevenção da doença até agora, porque o que está valendo no momento é a caneta do Presidente e o “seu” Exército.

Nossos Institutos e laboratórios de pesquisa e fabricação de vacinas e medicamentos contra as doenças são reconhecidos mundialmente por sua competência e contribuição nessa luta e nas medidas de prevenção e cuidados sanitários necessários para que não se propaguem pelo país.

Coitado do Brasil! Coitados de nós, cidadãos de um Governo – ou desgoverno – que só faz por desmerecer essa nobre campanha dos profissionais da Saúde e de todos os que seguem os protocolos sanitários recomendados pela OMS.

As imagens do Presidente no Maranhão, que já foi invadido pela nova cepa da Covid, e no Rio de Janeiro em passeatas, aglomerando adeptos sem máscaras ou distanciamento, distribuindo abraços, é como disse alguém com propriedade: um deboche aos que sofrem pelas perdas de familiares e amigos vítimas da pandemia.

Enquanto isso, a CPI ouve os presumidos responsáveis pela falta de organização e planejamento para esse combate, que deixaram morrer centenas de pacientes por falta de oxigênio. Ausência de previsão dos insumos necessários ao tratamento dos infectados. Ao contrário, houve uma contínua sucessão de erros na diplomacia que hostilizou os países que nos poderiam socorrer com as vacinas, na indiferença que deixou de encomendar vacinas, ou atrasar os pedidos, e ainda aconselham a tomar medicamentos não indicados pela Organização Mundial da Saúde. Porque esses sim foram importados em grandes quantidades…

Muitos convocados pela CPI, diante do plenário, se calam; outros mentem, alguns tentam enrolar com a apresentação de brilhantes currículos: fui diretor de tal entidade, sou formada e pós-graduada, lecionei em Faculdade de Medicina, etc. Por que não usaram desses privilégios para o bem? Esqueceram de nós, pensaram só em agradar o Chefe, que ainda não se importou com a pandemia.

O que temos visto nas reportagens recentes? Passeatas, carreatas, comícios em cima de carros de som, sem máscara ou distanciamento, convidando o povo a sair de casa, abrir estabelecimentos, continuar com as festas, as baladas, nada de ficar recluso, porque vivemos numa democracia. Que democracia é esta que ameaça com o AI-5 e a intervenção militar?

Deixando as desilusões de lado, vamos olhar as rosas de maio que ainda resistem nos canteiros. Vamos festejar a vida ainda que virtualmente, com abraços de faz de conta. Mas também consolar os irmãos que sofrem com a Covid-19, a perda de entes queridos e toda essa tristeza que vem do terrível mal que é essa praga. Rezemos para que o futuro nos traga grandes compensações, líderes confiáveis, povo alfabetizado, sadio e cheio de renovadas esperanças.

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