Estamos chegando ao meio do ano. E também à marca de mais de quinhentas mil mortes pela Covid-19. Sendo o segundo país do mundo em número de vítimas fatais, não temos nenhum motivo para orgulhar-nos. Pelo contrário.

As vacinas chegaram com atraso. E a CPI se instala para apontar os culpados pela demora no combate ao coronavírus. Pois já podíamos estar imunizados há meses, e milhares de vidas teriam sido poupadas. Mas o embate entre Saúde e Economia travou o esperado sucesso contra essa terrível pandemia.

Entretanto, precisamos reagir contra o desânimo, pois sempre haverá uma solução para quem está caído. Do chão não se desce mais. E, com o desânimo, vem a depressão, que é a pior maneira de render-se ao fracasso e desistir da luta.

O que nos tem faltado é a união de esforços, ação conjunta dos nossos representantes em todos os poderes. Darem-se as mãos na procura de soluções que primeiro preservem a vida e a integridade dos cidadãos, para depois passar às preocupações com a Economia e com o avanço do PIB. Com um povo doente não haverá progresso.

Enquanto isso, nos bastidores da pandemia, feminicídio, infanticídio, crimes brutais, assaltos a bancos, estabelecimentos comerciais e a residências enchem as páginas dos jornais diários. Golpes contra idosos chegam pelas redes sociais, cartões são clonados, e as vítimas não sabem como defender-se.

Para agravar a situação – já alarmante –, eis que surge um monstro de crueldade, que mata por prazer, sacrificando uma família inteira e deixando um rastro de destruição e pavor para os moradores da região, nos cerrados de Goiás. A caçada a Lázaro Barbosa, iniciada num distrito de Brasília, segue há mais de um mês sem localizar o facínora. Pelotões de soldados, helicópteros, cães farejadores, drones e, agora, até um caçador experiente que conhece a região, estão mobilizados e não conseguem prendê-lo.

Parece que o vírus da maldade também se impregnou em bandidos desse tipo, e não se vê, a curto prazo, alguma vacina contra o mal. E os criminosos estão bem equipados, usam e abusam da tecnologia para o crime, dos meios de comunicação, e conseguem escapar das batidas policiais.

Onde fica a índole do brasileiro amável, prestativo, acolhedor que nós tivemos? Quando voltaremos a ser esse povo hospitaleiro, esse país que atrai turistas por suas belezas naturais, seu clima, carnaval, e as praias de areias brancas, mar de águas limpas, e acima de tudo, nosso jeito de viver, alegre, aproveitando o momento presente com alegria espontânea?

Depende de nós, de cada um de nós. Sejamos mais compreensivos com as opiniões e com o jeito de ser de cada um. Pelas redes sociais, vê-se cada grosseria. Quando o assunto é política e ideologias, ou opiniões sobre o combate à pandemia, os ânimos se inflamam, e a natural cortesia nativa desaparece.

E as fake news que deixam a população ansiosa e com dúvidas, sem saber como agir. Quantas pessoas deixam de se vacinar por medo de efeitos colaterais inventados só por maldade ou para agradar seus ídolos?

Como será bom voltar aos tempos normais, conviver bem com os vizinhos, apreciar um bom chimarrão entre amigos, fazer planos de férias, de aproveitar a vida no que ela tem de melhor, o amor. Ter a sensação de pertencer, de fazer parte de uma comunidade que deseja o bem comum e se une para assegurá-lo?

Então, voltaremos a olhar as estrelas nos céus de abril, a ouvir o trinado dos pássaros e ver desabrocharem as flores nos canteiros. Para o prazer das abelhas, das borboletas, dos olhares.

Tenhamos fé. Deus é nosso Pai. Esse dia chegará.