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“Não sei, só sei que foi assim”

“Não sei, só sei que foi assim”

Essa talvez seja a frase mais célebre de Auto da compadecida, peça de teatro escrita por Ariano Suassuna em 1955. É com ela que um dos personagens, Chicó – um mentiroso de primeira e que conta suas estórias de forma muito engraçada –, termina seus “causos”.

Segundo Suassuna, a peça se baseia em romances e estórias populares do Nordeste. Tudo começa com Chicó e João Grilo indo até a igreja avisar ao Padre João que há um cachorro para ele benzer, pois está muito doente. O padre se nega até eles dizerem que o bichinho pertence a uma pessoa influente na cidade, o Major Antônio Moraes. Mas tudo começa a se complicar quando o Major aparece na igreja procurando o padre, e João Grilo inventa mentiras novas para se livrar do enrosco em que se meteram. É com muitas armações e mentiras que eles resolvem todos os problemas, não só os deles, como os de quem quer que seja.

Mas por que Auto da compadecida? O termo “auto” tem sua relação com o teatro em referência a dramas medievais com um cunho moral. Na peça de Suassuna, as atitudes dos personagens vão levá-los a um julgamento que estará a cargo do Diabo, de Jesus e da Compadecida. É neste momento que se apresentarão críticas à Justiça e também à forma como a religião é conduzida por alguns membros da Igreja.

Auto da Compadecida faz parte do gênero literário teatral e se trata de uma farsa. Eu gosto de ler obras desse gênero principalmente quando não disponho de tempo para romances e busco algo de leitura mais rápida. Mas o que realmente me atrai nas peças de teatro é que os textos não têm um narrador – às vezes, há um personagem, como o Palhaço de Auto da compadecida, que explica ao público o que ocorreu fora do palco –, apenas diálogos e descrições das cenas, com instruções aos atores e até para a montagem dos cenários. Isso me parece fazer com que exercitemos mais nossa imaginação.

 

Referência:

SUASSUNA, Ariano. Auto da compadecida. Ilustração de Manuel Dantas Suassuna. 39ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018. 208p.

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