Apesar dos bons números da economia brasileira, que geram otimismo para este ano, existem pedrinhas nos sapatos que estão a desafiar analistas em relação à clareza nos horizontes. Em primeiro lugar, os presságios da inflação crescente vêm assustando todo mundo, principalmente aqueles de baixa renda, para quem os efeitos são mais severos. Quanto menor a renda, maior são as perdas em função da alta nos preços. Hoje, a previsão é de que o IPCA deve atingir mais de 6%, forçando o governo a alterar a taxa de juros, Selic, num ritmo bastante forte. Isto encarece o crédito e limita o crescimento. Parte da pressão inflacionaria ainda é fruto da paralisação da economia em 2020, que desestruturou a produção em vários setores que ainda estão patinando. A deficiência na oferta e a volta do consumo causa um descompasso no preço. Quando esta equação estará mais equilibrada? Como o aumento no juro vai influir na inflação e impactar no crescimento econômico?

 

Crise hídrica

Os baixos níveis de água nos reservatórios brasileiros estão assustando. Se a chuva continuar rara, será inevitável acionar as termelétricas para suprir a demanda de energia. Isto vai trazer aumentos nas contas. É bom lembrar que a energia elétrica é um dos itens que tem maior peso no IPCA, portanto, as perspectivas na elevação da inflação são reais. Já existe cálculo que aponta que o aumento de preço de 52% na bandeira vermelha vai ocasionar 0,4% no índice da inflação no mês de julho, e cerca de 8% na conta final de luz. A tarifa da bandeira vermelha está passando de R$ 6,24 para R$ 9,49 por 100kw/h. Como a matriz energética brasileira depende em 70% dos recursos hídricos, resta rezar para uma ajuda de São Pedro. Existem tentativas de transformar esta matriz, com investimentos e facilidades, para a geração de energia eólica e solar, mas ainda vai levar tempo para que este projeto seja uma realidade capaz de aumentar a oferta de maneira significativa. Alguns falam em racionamento, apagão, que pode sim acontecer, porque o crescimento econômico, que é uma realidade, força o consumo, exigindo uma maior oferta, e esta é inelástica no curto prazo. Imagine os estragos se a indústria tiver que reduzir o seu ritmo e frear investimentos? Qual a consequência econômica da baixa oferta de energia hídrica no segundo semestre? Hoje, as previsões são de que o PIB brasileiro cresça mais de 5% este ano, mas a crise hídrica pode alterar este prognóstico. O negócio é torcer para que São Pedro de uma mãozinha!

 

Famílias endividadas

É uma situação já conhecida, mas vem ficando cada vez mais critica. Os últimos dados do Banco Central dizem que o endividamento das famílias com o sistema financeiro chega a 58%, o maior percentual da série iniciada em 2005. Caso sejam retiradas as dívidas imobiliárias, o endividamento chega a 35,7%, o que também é recorde. Para fechar as contas no fim do mês, a alternativa é recorrer a empréstimos, o que aumenta as dívidas. Em março do ano passado, o endividamento total chegava a 49,4%, com percentual 8,6 pontos menor do que este ano. É uma hora difícil para ao consumidor, que deve pensar duas ou três vezes antes de contrair dividas. Fazer novas dívidas somente em último caso, e todo o cuidado ainda é pouco. Mesmo que o momento seja de otimismo em função dos bons números da economia e do avanço significativo da vacinação, é bom evitar a euforia e partir para o consumo consciente. O conselho ainda é: compre apenas o necessário, evite exageros! É importante também chamar a atenção daqueles que vendem a prazo. Faça um cadastro bem feito e esteja sempre pronto a negar crédito, pois, se você facilitar, pode perder. O endividamento das famílias está num ponto crítico, e com certeza vai permanecer no curto e médio prazo. Pior que deixar de vender é vender e ficar no prejuízo. Cuidado com o calote!

 

Faltam contêineres

O mundo e todos os setores foram atingidos pela pandemia da Covid-19 e, aos poucos, começam a aparecer as dificuldades. A falta de contêiner é uma realidade que está afetando as exportações brasileiras. Na verdade, este vírus provocou uma desorganização na logística do mundo inteiro. A queda nas importações fez com que o Brasil disponha, hoje, de um número reduzido destes importantes produtos de transporte. Esta falta fez o preço dos fretes subir, afetando a margem de lucro. Ao que tudo parece, é mais um problema surgido em função da pandemia, que está afetando a economia, e que deverá ser resolvido somente no médio prazo.

 

Pense

Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.