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Números, ah os números!

Números, ah os números!

A todo o instante, notícias e informações circulam na mídia e, no fundo, têm base em números que, muitas vezes, são citados de maneira errada e até omitidos. Até colunistas citam fatos e, simplesmente, deixam de informar de onde os dados saíram. E aí, os menos preparados aceitam aquilo como uma verdade.

Tem um ditado que diz que o papel aceita tudo! Na verdade, quando é necessário dar credibilidade àquilo que se está dizendo ou informando, é necessário dizer a fonte e, principalmente, a data ou o período a que se refere. Isso é o mínimo que deve constar numa informação responsável.

É bom citar um exemplo. Há poucos dias, circulou na mídia uma cerimonia de premiação de “Cidades Excelentes”. Examinando o assunto, foi identificado que se trata do Índice de Gestão Municipal Aquila (IGMA), que examina os municípios sobre os aspectos fiscais, educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento socioeconômico. Com base nestes parâmetros, é construído um ranking nacional, e aí os melhores são premiados.

Num primeiro olhar, pareceu interessante, mas é necessária uma busca por fontes e período considerado. Depois de muita pesquisa, deu para perceber, numa citação do estudo, citação muito tímida, que os dados tinham como base o Atlas de Desenvolvimento no Brasil, publicado em 2013, e nada mais foram referidas. Imaginem os prefeitos recebendo, em 2021, os prêmios de excelência quando, na verdade, os méritos seriam de gestões anteriores.

É possível que outros dados tenham sido incluídos, mas o estudo silencia sobre dados, fontes e períodos. Fica a pergunta: qual a credibilidade deste ranking? É importante que, sempre que apareça um estudo, pesquisa e estatística, se corra e se busquem a fonte e o período, pois, dependendo deles, o assunto pode ser considerado ultrapassado ou sem valor cientifico. Os números estão aí, todo o dia, mas é preciso conhecer as realidades para constituírem verdades. Todo o cuidado é pouco.

 

Economia brasileira cresceu 5,7% este ano

Segundo dados do IBGE, divulgados no dia 02, a economia brasileira cresceu, nos primeiros nove meses do ano, cerca de 5,7% em comparação como o mesmo período do ano passado. O setor industrial aumentou 6,5%, e os serviços, 5,2%. Já a agropecuária registrou uma variação negativa de 0,1%. Considerando o terceiro trimestre, o PIB cresceu 4% em relação o mesmo período de 2020. Neste período, a agropecuária caiu 9%, a indústria cresceu 1,3% e os serviços avançaram 5,8%.

 

Queda do PIB determina recessão técnica do Brasil

Segundo o IBGE, dados também do dia 02, pelo segundo trimestre consecutivo, o PIB do Brasil encolheu. O dado negativo no terceiro trimestre foi de -0,1%, e, como no segundo o número (-0,4) também foi negativo, isso é considerado como recessão técnica. Mesmo com a alta de 1,1 no setor de serviços, que representam mais de 70% do PIB nacional, o número final ficou negativo. No período, a maior queda foi da agropecuária, com um recuo de 9,8%, ficando o setor industrial estável. Esta é a segunda recessão técnica no período da pandemia, sendo que a primeira ocorreu no segundo e terceiro trimestre de 2020. A agricultura encolheu 8%, a indústria ficou estável, e os serviços cresceram 1,1%.

 

Escolha a manchete!

Por incrível que pareça, os dois itens comentados se referem ao mesmo artigo do IBGE. No caso, o editor da notícia tem a liberdade de escolher e publicar aquilo que mais lhe convém, ou o que pode dar mais audiência. Os dois aspectos são verdadeiros e estão no mesmo artigo. A mídia deu ênfase apenas ao assunto da recessão. É bom saber que, no segundo caso, que analisa a questão da recessão, a visão é de curto prazo; no primeiro, a visão é de médio. Os dados pontuais devem ser visto como ocorrência isolada, já os de mais longo prazo permitem projetar cenários futuros. No caso, os leitores assimilam aquilo que lhe é passado, e aí as opiniões vão se formando. É saudável procurar sempre o outro lado da notícia ou da informação, porque a verdade pode ser diferente. Um mesmo fato, dependendo do veiculo que o reproduz, pode ser diferente. Todos sabem que a informação comanda o mundo, por isso, todo o cuidado é pouco na hora de escolher e analisar a fonte e a maneira como é feita a divulgação. Fique atento!

 

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