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Os desterrados

Os desterrados

Quando vejo as cenas na TV, mostrando as multidões de ucranianos fugindo das zonas de guerra, sinto o que eles devem estar passando ao deixar suas casas, bens, vizinhanças, as escolas dos filhos, os empregos dos pais para trás. Sem muita esperança de retornar. Querem salvar as próprias vidas, a de seus filhos e familiares, mas os sentimentos de perda são dolorosos demais.

Quantas criancinhas nessas hordas, no colo ou pela mão de seus pais, sofrem de frio naquelas terras geladas, enfrentando a neve, o desconforto de filas intermináveis nos locais de embarque para o desconhecido.

Fico pensando no adeus a seus lares, na tristeza de fechar as portas da casa, não para um passeio de férias, mas numa viagem sem volta, talvez. Devem carregar consigo a lembrança dos sonhos da casa própria, os esforços para adquiri-la, mobiliá-la e, aos poucos, equipá-la com todo o conforto possível. Que saudades vão sentir dos retornos ao lar de volta da escola, do trabalho, e encontrá-la como o porto seguro, aconchegante, com a família querida aquecendo-se no calor da lareira.

Países solidários os acolhem com boa vontade. Mas os alojamentos provisórios, as incertezas do dia de amanhã, do próprio sustento, as diferenças de idiomas são empecilhos difíceis de vencer. E danos irreparáveis na saúde mental e espiritual dos refugiados carecem de tratamentos especiais.

Neste mês, costumo comemorar o aniversário da minha casa. Um sonho realizado que não canso de agradecer. Não foi de um dia para outro, deu trabalho, pagamentos de empréstimo, materiais, mão de obra e muitas decisões a tomar. Tempo de “apertar o cinto”, porque as prestações pesavam no orçamento doméstico.

Tudo isso, e mais a vida lá dentro, aniversários, encontros de família, almoços com convidados aos domingos; comemorações de Natal, Ano Novo e outras especiais, nada vai ser esquecido pelos refugiados, mas que falta vão fazer.

A guerra da poderosa Rússia contra a Ucrânia é um desequilíbrio de forças que clama aos céus por socorro.

Também aqui no Brasil, as centenas de famílias flageladas nas enchentes e desmoronamentos em Petrópolis, Brumadinho, Mariana, em Minas e na Bahia são tristes imagens de desterrados chorando seus mortos, vendo seus lares em ruínas e procurando abrigos e solidariedade da sociedade.

Lá na Europa, a ambição desmedida de poder e riquezas de Putin deixa um rastro de destruição e mortes. Aqui, a falta de planejamento, o desvio de verbas para evitar essas tragédias por parte dos responsáveis fazem com que as mesmas desgraças se repitam, e os mesmos problemas persistem.

Porém, o mais importante é a vida. E, para sanar esses males, mais valem as orações e a fraternidade. Que todos se dêem as mãos e socorram uns aos outros como irmãos que somos neste mundo de Deus.

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