O inverno chegou bem rigoroso. Muita chuva, fez manhãs com cerração, geou de noite, e as cobertas na cama tiveram de aumentar. O frio, agora, é o protagonista do dia a dia. As notícias da CPI da Covid-19 e da captura do famigerado Lázaro Barbosa cedem seus espaços para o queixume unânime dos gaúchos: que frio!

Enquanto isso, lá do Rio de Janeiro, me vem a foto de um casal de amigos saindo do banho de mar! Felizes da vida com o fim das chuvas que castigaram por dias a Cidade Maravilhosa.

Somos um país de múltiplas facetas, clima, temperamento, histórias diferentes. Estamos na expectativa da neve. Temos todos os ingredientes, frio e umidade. Ela deve chegar em algum ponto do Estado. Pode ser que em Bagé…

Nossas casas ainda não têm os requisitos para amenizar o inverno, como em países do Hemisfério Norte. Vendo filmes que se passam na Noruega, Suécia e até na Finlândia, noto que as pessoas na rua estão bem agasalhadas, mas, ao entrarem em casa, a primeira coisa que fazem é tirar os casacos e mantas. Lá dentro, não passam frio. Mas sempre o problema dos combustíveis vem à baila. O carvão e o petróleo passaram a ser mal vistos pela poluição do meio ambiente. E os dramas que assisto se passam, então, em volta desses problemas.

Os nossos são bem diferentes. A casa fechada, fogão e lareira acesos – para os que têm essa graça –, mas o que fazer das frestas de janelas e portas? Por elas, passa um ventinho danado de frio. Não dá para ficar perto. Como tapar essas frestas que nos castigam assim?

Lembro a casa de meus pais, de paredes altas, bem como as aberturas, só com o fogão a lenha para aquecer, mas de noite, com ele apagado, a solução era as cobertas e os cobertores, um peso em cima da gente. Quando surgiram os edredons, que diferença! Mas as frestas tinham também sua serventia. Por elas, entravam os primeiros raios de sol que nos animavam a sair da cama.

Estamos sofrendo a pior pandemia de todos os tempos há quase dois anos. E não estávamos preparados para enfrentá-la. Com os contínuos reveses na economia, saúde, educação, desemprego e crescente pobreza do povo, muitas perguntas estão sendo feitas. Como chegamos a esse estado de desorganização, falta de previsão, de recursos, e o pior, a essa polêmica entre os poderes, que não chegam a um acordo, a uma união de esforços para combater o mal comum? A CPI nos revelará o que está nos bastidores, impedindo-nos de avançar, progredir, garantir a igualdade e os direitos de todos os cidadãos? E a saúde, quando voltará a ter prioridade sobre a economia? Haja frestas!

Recordo meu modesto quarto de hotel no início de minha carreira. Tinha um janelão com algumas frestas. Por uma delas, cada manhã, um raio de sol apontava para um cartaz que eu pregara na parede, com esses dizeres: “Tudo que vale, custa; tudo que custa, vale.” Conforme a letra atingida pela claridade, eu sabia que horas eram. Era o meu despertador.

É hora de despertar, minha gente!