Todos nós somos sabedores de que a Igreja existe para Evangelizar, ou seja, tornar o evangelho conhecido pela humanidade. Ao tornar o evangelho conhecido, automaticamente, a igreja se dá conta de que na proposta do Cristianismo, a partir daquilo que Jesus revelou e ensinou, existe uma clara opção pelos mais necessitados. Jesus não deixa nenhuma dúvida sobre a importância da dignidade do ser humano, que passa pelo direito à terra, casa e trabalho.

O serviço aos pobres sempre ocupou, ao longo da história, lugar central na vida da Igreja. Nos dias de hoje, com o aumento da desigualdade social, se faz mais necessário ainda. O Papa João Paulo II afirmou: “ninguém pode ser excluído do nosso amor!” Segundo o evangelho de Mateus (Mt, 35-36), há nas pessoas dos pobres uma presença de Cristo, obrigando a Igreja a uma opção preferencial por eles.

Estamos ainda muito acostumados com as ações imediatas de assistência aos mais pobres alcançando, na medida do possível, comida, roupa, remédio, abrigo, bem como ao cuidado com as pessoas em situação de vulnerabilidade social, idosos, doentes e órfãos. A grande pergunta que não cala é a seguinte: isso que estamos fazendo é o suficiente?

Santo Antônio, celebrado no último dia 13 de junho, levava às pessoas o pão espiritual (palavra de Deus) e o pão material (comida). Duas medidas necessárias para a vida do ser humano. Levar o pão espiritual e também o “pão material”! Como vamos evangelizar uma pessoa que está com fome? Como falar de Deus a alguém que tem sua dignidade negada?

Com o passar do tempo, a Igreja foi se dando conta de que além da necessária assistência imediata aos mais necessitados, era preciso também empenhar-se pela transformação social. Era preciso empenho e dedicação no sentido de transformar as estruturas da sociedade. Nesse sentido, muitas lideranças das pastorais sociais fazem parte dos conselhos paritários em seus municípios com o objetivo de contribuir na elaboração e efetivação de políticas públicas que incluam os mais necessitados, ou seja, participam ativamente no controle social das políticas públicas.

Esse caminho de incluir os mais necessitados nas políticas governamentais requer atenção especial de todos nós. Não podemos nos comportar com indiferença diante de tantos irmãos ainda não incluídos. “Eu vim para que TODOS tenham vida, e vida em abundância” disse Jesus! Enquanto essa abundância de vida não for estendida a todos os seres humanos, precisamos nos empenhar para que todos tenham direito à terra, casa e trabalho! Pode parecer utópico, mas é necessário!