Já assisti, li e escutei várias matérias veiculadas a respeito das máscaras, atualmente na moda, fazendo parte da indumentária obrigatória de qualquer vivente nestes longos tempos de pandemia. Coloridas, avançadas, temáticas e até cirúrgicas, para todos os gostos. Feitas para tampar “as fuças” completamente, do topo do nariz até a protuberância do queixo. Queria ver o tamanho da máscara do Cássio, goleiro do Corinthians, para conseguir cobrir o seu enorme maxilar. Assim do tipo de um “cara de cavalo”. Mas deixa pra lá, porque o enfoque aqui é outro.

A máscara me incomoda, atrapalha, irrita e, inclusive, piora os meus achaques de rinite alérgica, quando o nariz finca o pé para se tornar a peça mais importante do corpo. Também quando vou aos restaurantes: tenho de entrar e me servir de máscara, mas quando volto para a mesa, não consigo comer de máscara; à mesa, nunca sei se posso colocar a maldita num canto do móvel ou a enfio no bolso junto com o lenço de assoar o nariz. Acredito que aqueles que mastigam de boca aberta são perigosos propagadores do famigerado vírus. Na hora de pagar a conta, é outro problema, pois, mascarado, já fui confundido com um assaltante sem identificação diante do caixa. Faltou só a arma ameaçadora.

E beijar, então, é muito complicado: quando um dos protagonistas levanta o panuelo, o outro toma a atitude de retirá-la e é um Deus nos acuda. O melhor jeito de grudar os beiços é com a máscara esticada na papada, sobre o pescoço, tipo um babeiro de criança nova.

Existem pessoas, também, que gostam de usar a máscara pendurada na orelha, balançando ao vento, assim como desafiando o vírus, e outros que a utilizam como gravata borboleta: colorida, enfeitando o “gogó da ema”, escondendo o Pomo de Adão.

Pois finalmente, depois de um ano vivendo “loco de medo”, descobri uma vantagem de usar a máscara, além daquela de proteger quanto às gotículas virais que não se propagam ao ar livre, ao contrário do que muitos pensam. As pessoas que correm ou caminham em campo aberto com essa proteção, na verdade, estão sobrecarregando os pulmões, num sacrifício gratuito e até prejudicial. Descobri que, com a máscara, não precisamos escovar os dentes: economiza pasta dental, disfarça o bafo (a distância ajuda) e esconde a falta de alguns dentes que sempre teimam em se mostrar justo quando a pessoa coloca a mão na boca para falar ou sorrir. Tudo na vida tem os seus dois lados, dois enfoques. Agora é a vez dos desdentados, de máscara, se exibirem em público sem medo ou preconceito de ser feliz.