Em sua coluna da semana passada (sexta-feira, 13 de agosto de 2021), intitulada “O socorro que tardou”, minha colega de página, Anna Zoé Cavalheiro, escreveu: “O Planeta Terra está ameaçado de morte pelos crimes ambientais que não cessam de acontecer. Vai faltar água, vão escassear alimentos, o que será de nós? Ainda bem que a tecnologia está evoluindo a passos largos. Já é possível pensar em emigrar para outros planetas”.

Quando li isso, pensei imediatamente: “meu Deus, eu já li esse livro!”. É Deuses de pedra, escrito por Jeanette Winterson em 2007 e publicado no Brasil pela Editora Record em 2012. Cheguei a essa obra durante o Mestrado, foi leitura obrigatória de uma das disciplinas. Espero não me equivocar em nada do que vou dizer, pois a falta de tempo me impede de relê-lo, mas preciso falar sobre ele agora.

O que a dona Anna escreveu é a descrição perfeita do que acontece em Orbus: ele está morrendo devido à falta de cuidado da população que o habita, e a tecnologia evolui a passos tão largos que as pesquisas em outros planetas são realizadas por robôs sapiens – existem outros tipos de robôs, digamos, menos inteligentes. Os robôs sapiens devem descobrir se será possível, em caso de necessidade, mudar-se para um desses planetas.

Cabe dizer aqui que, no caso de Orbus, essa necessidade é iminente, já que o caos está operando, e o planeta deixará de ser habitável em poucos anos. No caso da Terra, talvez a gente ainda tenha uma chance de salvá-la, mas, para isso, é preciso começar agora.

Voltando à literatura – talvez não muito –, não apenas de questões ambientais trata esse romance de ficção distópica, mas também, por exemplo, de inteligência artificial e do que podemos definir como amor entre espécies. Sim, os robôs são considerados uma espécie.

Quando retorna de sua missão explorando o Planeta Azul, candidato a receber os habitantes selecionados de Orbus, a robô sapiens Spike se apaixona por Billie Crusoe, uma funcionária humana do Serviço de Aperfeiçoamento. Outro avanço tecnológico de Orbus é no que diz respeito às cirurgias plásticas. Lá, com as intervenções, as pessoas podem controlar o envelhecimento através de um processo chamado Adaptação Genética. É aí que entra o Serviço de Aperfeiçoamento.

Agora, pergunto: quem você acha que tem direito a uma passagem para a viagem interplanetária? Você acha que teria um lugar com seu nome na nave? As respostas estão no livro. Mas não se preocupe, tudo ficará bem tanto para os que viajarem quanto para os que ficarem. Pelo menos é isso que diz o governo. Mas será?

 

Referência:

WINTERSON, Jeanette. Deuses de pedra. Tradução de Sérgio Duarte. Rio de Janeiro: Record, 2012. 288p.