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Vamos viajar ao passado?

Vamos viajar ao passado?

Nunca pensei que voltaria a me sentir tonta e perdida lendo algo depois de Cem anos de solidão. Aí veio a Rysa Walker e lançou a trilogia Chronos, obra que trata de viagens no tempo. Com o uso de chaves Chronos – medalhões criados por uma empresa homônima no século XXIII –, os personagens vão a diferentes épocas e lugares.

A Chronos é responsável por estudar a História. Como é possível viajar no tempo, seus historiadores podem presenciar os eventos, produzindo relatos precisos. O problema é que um deles, Saul, é um psicopata. Ele aproveita o conhecimento que adquire para se tornar uma espécie de profeta e criar uma religião. Sob o nome de Cyrus, Saul permanece no passado após sabotar a empresa, e funda a Igreja Cirista Internacional. Ele acredita que, da forma como as coisas ocorreram, muito deu errado no mundo, e, para “consertá-lo”, planeja o Abate, que matará grande parte da população mundial, exceto alguns escolhidos dentre seus seguidores. Cabe a Kate, neta de Saul, tentar detê-lo.

O primeiro livro da trilogia, Chronos: viajantes do tempo, começa com um prólogo, que mostra Kate correndo por corredores, tentando escapar de um perseguidor. Confesso que, depois desse começo em alta voltagem, achei os primeiros capítulos, que contam como ela descobriu toda a verdade sobre sua família, um pouco chatos. Até que volta a ação e tudo começa a se desenrolar para que Kate viaje ao passado para encontrar uma “versão anterior” de sua avó, Katherine, e lhe dar um aviso. Algo a destacar desse livro é a presença H. H. Holmes, considerado o primeiro serial killer dos Estados Unidos. Eu o conhecia “só por nome”, mas agora quero conhecer a história mais a fundo.

No segundo livro, Chronos: limites do tempo, Kate deve realizar uma série de viagens ao passado para encontrar outros historiadores da Chronos e convencê-los e entregar suas chaves a ela para que Saul não tenha acesso a esses medalhões. Já no terceiro, Chronos: fragmentos do tempo, há um novo complicador: uma arma biológica. Enquanto Kate tenta impedir Saul de usá-la, cientistas buscam desenvolver uma vacina que possa salvar a população.

Mas o que me complicou nesta leitura? Com tantas idas e vindas, nem sempre vejo claro em que época e lugar estamos. Talvez Rysa Walker pudesse ter tido mais cuidado nesse aspecto. Além disso, a viagem no tempo tem muitas regras para evitar causar grandes mudanças na história – regras muito ignoradas por Saul e seus seguidores. De vez em quando, surgia uma regra ou uma referência a alguma viagem que eu sequer lembrava já ter sido citada. Acho que faz falta um material como a árvore genealógica dos Buen Día que algumas edições de Cem anos de solidão trazem para auxiliar o leitor.

Um ponto positivo a destacar é a mescla de ficção com fatos históricos, que nos permite adquirir muito conhecimento. Para isso, são importantíssimas as notas incluídas pela tradutora, Fernanda Lizardo, ao pé das páginas.

 

Referências:

WALKER, Rysa. Chronos: viajantes do tempo. Tradução de Fernanda Lizardo. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2017. 320p. v.1.

______. Chronos: limites do tempo. Tradução de Fernanda Lizardo. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2018. 384p. v.2.

______. Chronos: fragmentos do tempo. Tradução de Fernanda Lizardo. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2020. 464p. v.3.

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