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Viver no passado

Viver no passado

Li noutro dia uma afirmação interessante: “julgamos o passado como o melhor lugar para se viver, quando o desconforto com o presente bate à nossa porta”. É mais ou menos a mesma situação da mulher mandona e possessiva que proíbe, restringe, etc. em casa e que, quando acaba sozinha, abandonada, chora, posando de vítima. Tem muita gente boa que sente falta do colo materno quando a coisa aperta.

Há certas pessoas que vivem constantemente no futuro, planejando, conspirando contra o mundo para alcançar os seus objetivos. Outros tantos, sublimando as lembranças boas do passado. Esquecem-se de viver o tempo real do presente, o crescimento dos filhos, a bênção dos netos, o cantar dos passarinhos e o colorido das flores que teimam em alegrar nossos caminhos primaveris ou outonais, ou mesmo temporonas.

O futuro é um tempo virtual. Ele não existe. Só é real na tela da nossa imaginação. E assim mesmo do jeito que desejamos que ele seja. Quase sempre tudo de bom, de riqueza e de felicidade.

O passado, por outro lado, não existe mais. E o que é pior, não volta mais. Poderemos revisitar os lugares, mas jamais ressuscitar as pessoas que mobiliaram aqueles momentos especiais dos quais tão bem nos recordamos e que gostaríamos que voltassem, iguaizinhos aos que lembramos com tanto saudosismo.

Não querendo filosofar sem base de conhecimento, porém calejado pela usura, concluo pelo óbvio: toda vez que as coisas não acontecem conforme desejamos, destrilhamos com nossos valores adquiridos. Dá uma vontade louca de virar a mesa, chutar o balde, destratar todo mundo e sair por aí a conversar bobagens e apontar culpados.

No caso do título acima, ainda existe uma agravante: o mundo está mudando muito rapidamente e, por mais que queiramos, se o tempo voltasse, já não seria mais como antigamente. São muitas as informações da globalização, da internet. Estamos em um tempo de mudanças radicais de valores, de culturas e de comportamentos.

Precisamos discutir sim as máximas de Maquiavel. Nem sempre os fins justificam os meios. Se bem que ainda acredito na sabedoria popular e na evolução natural das pessoas pela educação evolutiva da sociedade. Espero que, um dia, talvez numa era longínqua, o inconsciente coletivo se rebele e mande a elite diretiva pras cucuias. Se bem que a barbárie ainda corra solta por aí, em nome de muitos e distintos Deuses. Toda vez que inventaram um governo do povo, os que menos mandaram foram os genuinamente populares. Inventam representatividades e delegações suspeitas em nome da plebe sempre esperançosa e ingênua. Hay mistérios peregrinos para todos os gostos e clientes e, aqueles que muito oram, na verdade, não sabem da missa nem a metade. E aqueles que muito se ajoelham, no sentido figurado da expressão, acabam revelando suas fraquezas para confessores que nem sempre merecem saber do nosso interior.

Observem que, mesmo em situação de tempo encardido, feioso, sempre haverá um horizonte, visível ou não. E não há mal que sempre dure, nem há bem que nunca se acabe. Bola pro mato que o jogo é de campeonato, e quem entra em campo só para participar quase sempre não ganha mesmo, porque lhe falta comprometimento. Nem que seja consigo mesmo.

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