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Comportamento – Janeiro Branco – Débora Saldanha de Freitas

Comportamento – Janeiro Branco – Débora Saldanha de Freitas

O calendário está ficando colorido, marcado por importantes campanhas de conscientização da saúde: Setembro Amarelo alertando para a valorização da vida e prevenção do suicídio, Outubro Rosa para prevenir o câncer de mama, Novembro Azul chamando a atenção para a saúde do homem e agora o Janeiro Branco, despertando nosso olhar para as questões relacionadas à saúde mental.

Proposta nascida em Uberlândia (MG) por meio de um grupo de psicólogos, esta campanha atualmente conta com a adesão de profissionais da área da saúde de todo o país. Foi criada em 2014 e tem como objetivo promover a conscientização sobre as condições emocionais e qualidade de vida, encorajando as pessoas a mudarem quando julgarem necessário.

A justificativa da Campanha vem através de um alerta da Organização Mundial da Saúde de que nunca na história da humanidade se percebeu tantas pessoas com problemas de ordem mental. Segundo dados da OMS, há um crescimento descontrolado das taxas de suicídio, depressão e ansiedade. O que vemos então é uma sociedade adoecida, cujas causas são muitas. Vale ressaltar que na raiz do problema estão questões que passam por um modelo sócio-econômico deteriorado, relações superficiais, a busca frenética pelo “ter”, o consumismo em demasia, tecnologia em excesso, entre tantos outros fatores que podem desencadear problemas psíquicos em diferentes níveis.

O mês de janeiro foi escolhido porque nesta época do ano costumamos fazer um balanço do que passou e do que queremos fazer daqui pra frente. É quando resgatamos nossos sonhos e projetos e, sendo assim, é o momento oportuno para refletirmos sobre quais mudanças queremos para nossas vidas.

Quanto à escolha do branco, está relacionado aos muitos significados que traz. É a partir do branco que uma nova história pode ser escrita, assim como novos projetos podem criar forma, possibilitando novos inícios e recomeços. O branco também é a cor sagrada para várias tradições religiosas, significando paz, pensando também em saúde mental como o sentimento de paz interior.

Esta campanha busca diminuir o preconceito ainda existente acerca da loucura. Muitas pessoas deixam de buscar ajuda por vergonha, por medo do que vão pensar sobre ela, como se os problemas não fizessem parte da vida (quem não tem?). Caetano Veloso já dizia numa música que “de perto ninguém é normal”. Dra. Nise da Silveira, psiquiatra, também tentou com seu trabalho desmistificar a doença mental, afirmando que “todo mundo tem um pouco de loucura.” Não hesite em buscar ajuda se não conseguir resolver seus problemas sozinho. Reconhecer que precisa de ajuda é um primeiro passo para a cura.

Então, aproveite o momento. Janeiro faz referência ao deus romano Janus, protetor das portas, senhor dos começos e das passagens. É representado com duas faces: uma voltada para frente e outra para trás, simbolizando o início e o fim, o passado e o futuro, justamente nos fazendo pensar sobre o que queremos buscar neste novo ano, desapegando do que não nos serve mais e agregando mais alegria e bem-estar as nossas vidas.

Débora Saldanha de Freitas
Psicóloga
deborafreitas@yahoo.com.br  

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