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Crônica do Dia a Dia Bonecas – No reino do sonho – Maria Augusta Alves

Crônica do Dia a Dia Bonecas – No reino do sonho – Maria Augusta Alves

Bonecas sempre me atraíram e fizeram a alegria de minha infância.
Pensei muito nisso, enquanto me detinha em frente a uma vitrine, com dezenas delas, numa loja de shopping.

E lembrei do meu encanto, quando em missão rotária estivemos na Califórnia. Nossos anfitriões, um casal simpático de americanos, nos levou ao cais do porto da cidade de San Pedro, onde residiam.
Lá, naqueles armazéns com mil curiosidades, Nélio parou para ver a diversidade de peixes e a destreza com que os operários lidavam com eles. Eu fui mais adiante e me detive numa enorme sala com bonecas vindas de todas as partes do mundo.

Passei momentos fascinada, admirando aquelas figurinhas. Umas muito doces, outras exóticas, com trajes de seus países.

Minhas filhas herdaram este gosto, e cada uma, a seu modo, manipulava este brinquedo, comprado, às vezes, à prestação na Caçapava Bebê. Assim como a Xodó, a Beijoca e a Mãezinha.

Maria Lúcia, minha amada primogênita, adorava as Suzis e também as bonequinhas de papel que ela mesma desenhava, recortava e fazia roupinhas. E confeccionava umas especialmente para a caçulinha Liége, porque, dizia ela, a maninha sabia usar o guarda-roupa nas horas apropriadas.

Liége, por sua vez, era seduzida pelas Barbies, que ela ainda guarda a sete chaves, aqui na casa paterna. E continua comprando as de coleção, que são bem caras e lhe tiram a vez de adquirir outras coisas úteis.
Já Denise tinha sempre nos braços um bebê para o qual fazia casaquinhos e mantas de tricô. E encontrou uma alma gêmea para partilhar da brincadeira. Era a Auristela, coleguinha, que se tornou uma amiga. Elas chegavam da aula na Escola D. Pedro II e voavam para tirar o uniforme, comer um lanche e pegar seus “filhos”.

Do lanche elas recordam sempre. Quando aqui em casa, era o pão d’água do seu Chico, com manteiga e mel por cima. A vó Prendinha oferecia numa bandeja, e elas não faziam cerimônia.

Na casa da Lêe vinha o pão sovado, às vezes ainda quentinho. E como em geral acontece, as crianças gostavam mais do lanche alheio.

Eu interrompia suas conversas com os bebês e perguntava: “Onde andam os pais dessas crianças?” E elas, já combinadas, respondiam que num safári, na África. E continuavam embalando, dando comidinhas, mamadeiras e sussurrando canções de ninar.

Quadro lindo de se ver! Hoje os celulares com seus joguinhos, os tablets e computadores roubaram muito deste encanto.

Auristela e Denise cresceram juntas, debutaram e enfeitaram os salões com suas presenças. Casaram muito cedo – por coincidência no mesmo ano – e até hoje, ao lado de seus maridos, são excelentes mães que já estão vendo o resultado do exemplo e da criação que deram a seus filhos. Todos verdadeiros cidadãos, que só lhes dão orgulho.

Treinaram com as bonecas de louça e de plástico, já com o instinto maternal despertado, e colecionaram muitas alegrias.

Com saudade, recordam a infância, os seus brinquedos, o cheirinho daqueles pães, o perfume indelével de um passado de suaves lembranças.

Maria Augusta S. Alves

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