Li, num caderno de jornal domingueiro, este parecer de uma conhecida antropóloga, que abaixo transcrevo:

“Para uma boa velhice, é importante fazer uma faxina existencial. Tirar da vida não só roupa, bolsa, sapato, mas as pessoas que me fazem mal. Tenho que conviver bem, mas estabeleço uma distância psicológica para que essas pessoas não me façam mal, não me destruam, não me critiquem, não me botem para baixo.”

Do alto da minha idade, já tinha chegado à mesma conclusão e procurado excluir do meu convívio aqueles que só me perturbam e me deixam aborrecida.

Muitas vezes custamos a perceber por que chegamos abatidas de um encontro, de uma confraternização.

Uma frase se apegou à nossa mente e apagou o restante feliz daquela hora.

Pensamos com indulgência que é apenas falta de tato, mas com a repetição vem a verdade bem nítida.
Inveja? Mal querer? Não se sabe definir ao certo.

– Teu filho ainda está no Ensino Médio? O meu, da mesma idade, já cursa o segundo semestre de Psicologia.

Uma professora dedicadíssima com suas alunas ficou chocada com uma fofoca segredada por uma delas:

– A Palmira tem horror de ti, não pode nem ouvir a tua voz. Ou umas alfinetadas:
– Nem te reconheci. Engordaste muito, não é?
– Fizeste mesmo a lipoaspiração? Ainda não dá para notar.
– Este teu casacão eu vi em várias lojas da Rua da Praia e bem barato.
– A Lídia ainda não casou? A minha filha, que foi colega dela, já tem até dois filhos.

Pior ainda é quando se trata de casos mais graves.

Sei de uma história bonita de amor que foi destruída pela madrinha da moça, de quem se fazia “mui amiga”.

Por isso, delete as falsas amigas, sem misericórdia. Afaste-se delas continuando a lhes desejar todo o bem.

E volte-se com carinho para as verdadeiras. Aquelas que compartilham momentos juntos, dão força, estão ao nosso lado nas conquistas e nas derrotas. Sabem os segredos e compreendem nossas emoções. Aquele amigo que não espera nada em troca.

Faxina feita, nunca se sinta só, se tiver um amigo de verdade.
Maria Augusta S. Alves